Encontro Lula e Trump em março em Washington foca em combate ao crime organizado, tarifaço e crise na América Latina, dizem fontes da diplomacia

Encontro Lula e Trump em março em Washington busca consolidar cooperação em segurança, retomar negociações sobre tarifas e debater a situação na Venezuela e na América Latina

O governo brasileiro prepara um encontro presencial entre os presidentes, com foco em temas bilaterais considerados prioritários pelo Palácio do Planalto.

Fontes da diplomacia brasileira informam que três pautas devem dominar a agenda, com substância e negociações técnicas envolvendo vários ministérios e agências de segurança.

Os detalhes iniciais da agenda e o tom da conversa refletem a troca por telefone entre os dois líderes, na semana passada, conforme informação divulgada pelo g1

Principais pontos que o governo quer tratar

Segundo interlocutores ouvidos pela diplomacia, o Brasil pretende pautar o combate ao crime organizado, a continuidade das negociações sobre o chamado tarifaço e um olhar conjunto sobre a América Latina, especialmente após eventos recentes na Venezuela.

Na ligação mais recente, os presidentes discutiram temas bilaterais e globais, e, em nota, a Presidência registrou que os dois “trataram de temas ligados à relação bilateral e à agenda global e celebraram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros.”

Combate ao crime organizado

O Brasil reafirmou a proposta enviada ao Departamento de Estado no final de 2025 para ampliar cooperação em áreas como repressão à lavagem de dinheiro, tráfico de armas, congelamento de ativos e intercâmbio de dados sobre transações financeiras.

Fontes do Planalto dizem que a ideia foi bem recebida por Trump, e que a intenção é transformar as conversas em uma parceria estratégica concreta, com participação do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Polícia Federal.

Tarifas e comércio

O diálogo bilateral também deve avançar nas negociações sobre produtos brasileiros ainda afetados por tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, tema sensível para setor exportador e governo federal.

Na avaliação oficial, os avanços recentes já resultaram no “levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros”, segundo a nota citada pela assessoria da Presidência e repercutida pelo g1.

Venezuela e a agenda para a América Latina

A situação na Venezuela entrou como pauta inevitável, sobretudo depois da captura de Nicolás Maduro, ocorrida em 3 de janeiro, em operação que envolveu tropas de elite e confrontos, segundo relato das apurações.

Maduro e sua esposa foram levados a um navio militar e, posteriormente, aos Estados Unidos, onde passaram por audiência e se declararam inocentes, e, com a destituição do presidente, Delcy Rodríguez assumiu como líder do país, fatos que geraram repercussão internacional e preocupam Brasília.

Comitiva e próximos passos

Espera-se que integrem a comitiva representantes do Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ministério da Fazenda, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e da Polícia Federal.

O encontro presencial ainda não tem data fixa, mas está previsto para março, e terá caráter técnico e político para organizar a relação bilateral e tratar as prioridades que, segundo fontes diplomáticas, são centrais para o Brasil nas próximas semanas.