Entenda a liquidação extrajudicial da CBSF, ex-Reag, pelo Banco Central, motivos apontados, impacto nos mais de 80 fundos e ligação com o caso Banco Master

BC diz que a liquidação foi motivada por graves violações às normas do SFN, cita enquadramento no segmento S4, bloqueio de bens e a continuidade dos fundos sob nova administração

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF, atual nome da Reag Trust DTVM, na quinta-feira, após identificar problemas nas normas que regem instituições do Sistema Financeiro Nacional.

A decisão encerrou imediatamente as operações da empresa, que atuava como administradora de mais de 80 fundos de investimento, e determinou o bloqueio dos bens dos controladores e ex-administradores.

As informações divulgadas pelo BC e reportadas à imprensa apontam para apurações que podem gerar sanções administrativas e comunicações a autoridades competentes, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o Banco Central decidiu pela liquidação

Segundo o Banco Central, a medida foi, e cito, “motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [Sistema Financeiro Nacional]”.

O BC também afirmou que a companhia “se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial”, ou seja, trata-se de instituição de pequeno porte sujeita a regras simplificadas, e que, na prática, seu eventual problema não representa risco relevante ao sistema financeiro.

O órgão destacou ainda que a empresa representa “menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN”, dado que reforça o entendimento de baixa materialidade sistêmica.

O que muda para os fundos e cotistas

Com a liquidação, todas as operações da empresa foram encerradas de imediato, no entanto, os fundos administrados pela CBSF permanecem ativos.

Isso significa que os fundos precisarão buscar novas instituições para assumir a administração, enquanto a liquidação atinge a administradora e não os veículos em si.

Fontes do mercado lembram que a CBSF atuava sobretudo como administradora de mais de 80 fundos, e que o processo de transferência de custodiante e administrador pode ser complexo, mas é procedimento comum nesses casos.

Relação com investigações e com o Banco Master

A CBSF integra apurações sobre um suposto esquema de fraude ligado ao Banco Master, na investigação conhecida como Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.

Na operação contra o Master, foram apontadas práticas financeiras de risco e uma investigação sobre venda de carteiras de crédito, e a primeira fase levou à liquidação extrajudicial do banco e à prisão do controlador Daniel Vorcaro.

Na segunda fase, a investigação cumpriu mandados contra executivos ligados à Reag, e houve apreensões que envolveram medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.

Quem é a Reag e o envolvimento de João Carlos Mansur

A Reag é um grupo financeiro independente, criado para oferecer produtos e serviços integrados, e a Reag Investimentos foi fundada em 2013 por João Carlos Mansur.

Segundo informações anteriores, a Reag Investimentos chegou a administrar R$ 299 bilhões de clientes e fundos, e foi a primeira gestora de patrimônio a ter ações negociadas na bolsa brasileira.

João Carlos Mansur aparece entre os investigados na segunda fase da Operação Compliance Zero, e a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados a endereços ligados a ele.

O Banco Central informou que “O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis”, e reiterou que “os bens dos controladores e dos ex-administradores da empresa estão bloqueados”.

Em resumo, a liquidação extrajudicial da CBSF (ex-Reag) foi motivada por irregularidades apontadas pelo BC, afeta diretamente a administradora e obriga os fundos a buscar novos administradores, enquanto as investigações contra o Banco Master e vínculos com executivos permanecem em curso.