quinta-feira, junho 4, 2026

Entenda o que motivou a liquidação extrajudicial da CBSF, ex-Reag, pelo Banco Central, investigação ligada ao Banco Master, bloqueio de bens e efeitos nos fundos

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Liquidação extrajudicial da CBSF, ex-Reag, pelo BC, medidas sobre controladores e administradores, e o que muda para mais de 80 fundos e cotistas

O Banco Central do Brasil, nesta quinta-feira (15), decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nome atual da Reag Trust DTVM, administradora de fundos do grupo Reag.

A decisão foi tomada em razão de irregularidades apontadas pelo regulador e já determina o encerramento imediato das operações da companhia, enquanto os fundos seguem ativos e precisam buscar novos administradores.

No texto oficial, o BC afirmou ter identificado falhas graves nas normas que regem as atividades das instituições do Sistema Financeiro Nacional, e bloqueou bens de controladores e ex-administradores como medida cautelar.

conforme informação divulgada pelo g1

O que disse o Banco Central

Em nota, o BC informou que a decisão foi “motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [Sistema Financeiro Nacional]”.

O órgão destacou que a empresa “se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial”, portanto é considerada de pequeno porte e sujeita a regras mais simples que bancos maiores, e que a companhia “representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN”.

O BC também afirmou que “o resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis”, e que, pela lei, “os bens dos controladores e dos ex-administradores da empresa estão bloqueados”.

Impacto para fundos, cotistas e mercado

Com a liquidação, todas as operações da companhia foram encerradas de imediato, mas os fundos administrados por ela permanecem ativos, eles apenas precisarão de nova instituição para assumir a administração.

A CBSF, controlada pelo Grupo Reag, atuava sobretudo como administradora de mais de 80 fundos de investimento, e essa transição exigirá ações dos gestores e cotistas para manter a governança e a liquidez dos veículos.

Contexto da Reag e ligações com investigações

O grupo Reag já esteve no centro de outras investigações, e uma de suas gestoras chegou a administrar R$ 299 bilhões em recursos, segundo informações anteriores sobre o grupo.

Parte das apurações relaciona empresas do grupo a operações fiscais e financeiras investigadas pela Polícia Federal, como a Operação Carbono Oculto, que apontou que o esquema deixou de recolher mais de R$ 7,6 bilhões em impostos, e que, segundo as investigações, “Ao menos 40 fundos, entre multimercado e imobiliários, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, teriam sido controlados direta ou indiretamente pela facção”.

Na investigação ligada ao Banco Master, a Operação Compliance Zero identificou suposto esquema de captação, aplicação em fundos e desvio de recursos, e já resultou em medidas como a liquidação do próprio Banco Master por exposição a operações de risco e vendas de carteiras, inclusive uma operação de R$ 12,2 bilhões envolvendo o BRB.

Quem são os alvos e os próximos passos

Entre os investigados na segunda fase da Operação Compliance Zero está João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, e outras ações da PF envolveram buscas, apreensões e medidas de bloqueio de bens e valores que, nesta fase, superaram R$ 5,7 bilhões, além da apreensão de carros e itens de luxo.

O BC informou que continuará as apurações e que os resultados poderão levar a sanções administrativas e comunicações às autoridades competentes, enquanto investidores e cotistas devem acompanhar a transferência de administração dos fundos para garantir proteção aos investimentos.

Para cotistas e consultores, o foco imediato é confirmar qual instituição assumirá cada fundo, verificar prazos e custos de transição e acompanhar comunicados do administrador judicial ou do liquidante nomeado pelo BC.

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