Déficit acumulado reflete aumento de investimentos e perdas operacionais, com empresas como Correios agravando o resultado e exigindo aportes extraordinários em 2026
O conjunto de estatais federais registrou um rombo recorde de R$ 6,3 bilhões no acumulado do ano, uma piora sensível em relação a períodos anteriores.
Parte do aumento do déficit, segundo o governo, é explicado pelo crescimento dos investimentos feitos pelas empresas estatais federais, mesmo com algumas companhias enfrentando crises operacionais.
Entre os casos que mais pesaram no resultado está a situação dos Correios, cujas dificuldades financeiras exigem medidas de reestruturação e novos recursos nos próximos anos.
conforme informação divulgada pelo g1
Dados e comparação histórica
No acumulado até novembro do ano passado, as estatais federais haviam registrado déficit de R$ 6 bilhões. No mesmo período de 2023, o saldo negativo foi de R$ 343 milhões. Já em 2022 e 2021, por exemplo, o saldo foi superavitário em R$ 4,5 bilhões e R$ 3,2 bilhões, respectivamente.
Essa sequência mostra a reversão do resultado fiscal das estatais federais nos últimos anos, depois de períodos com saldos positivos.
Por que o rombo cresceu
O governo atribui parte do crescimento do déficit ao aumento dos investimentos realizados pelas empresas estatais federais, que têm ampliado projetos de infraestrutura e modernização.
No entanto, o impacto fiscal também é reflexo de perdas operacionais em companhias com dificuldade de ajuste de caixa e queda de receitas.
Crise dos Correios e necessidade de recursos
Nesta segunda-feira, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que a companhia precisará de mais R$ 8 bilhões em 2026 para o enfrentamento da crise financeira.
Segundo Rondon, a captação desses recursos poderá ser feita por meio de aportes do Tesouro Nacional ou por um novo empréstimo, decisão que ainda está em análise.
Na semana passada, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras bancárias, para quitar dívidas e aliviar o caixa. A ideia inicial da estatal era a tomada de um empréstimo de R$ 20 bilhões, que não foi autorizado pelo Tesouro Nacional em função da alta taxa de juros que havia sido proposta.
Impactos e próximos passos
O rombo das estatais federais aumenta a pressão por ajustes nas companhias e por decisões sobre fontes de financiamento, incluindo aporte público ou operações de crédito.
Especialistas e gestores vão acompanhar os desdobramentos das medidas de reestruturação, especialmente nos Correios, e a execução dos investimentos que, segundo o governo, explicam parte do déficit.
Os números divulgados e as declarações citadas foram compilados conforme informação divulgada pelo g1.