Estatais federais registram rombo recorde de R$ 6,3 bilhões no ano, entenda causas, peso dos Correios e risco para as contas públicas

Como o rombo de R$ 6,3 bilhões nas estatais federais se formou, por que Petrobras e Eletrobras foram excluídas do indicador desde 2009, e o papel da crise dos Correios

A soma das estatais federais chegou a um rombo recorde de R$ 6,3 bilhões no acumulado do ano, resultado que chama atenção por sua intensidade e por mudanças metodológicas que afetam a comparação histórica.

Parte do aumento no déficit foi atribuída pelo governo ao crescimento dos investimentos feitos pelas empresas, mas crises operacionais em companhias como os Correios também agravaram o quadro.

Esses números e explicações constam em reportagem sobre o desempenho das estatais, conforme informação divulgada pelo g1

Por que o déficit subiu

O cálculo usado para montar o indicador das estatais federais foi alterado em 2009 para desconsiderar grandes empresas como Petrobras e Eletrobras, porque elas têm regras diferenciadas e se assemelham a empresas privadas de capital aberto.

Com essa base, o saldo das estatais virou negativo neste ano, enquanto em períodos recentes houve variações fortes: no acumulado até novembro do ano passado, as estatais federais haviam registrado déficit de R$ 6 bilhões, no mesmo período de 2023 o saldo negativo foi de R$ 343 milhões, já em 2022 e 2021 o saldo foi superavitário em R$ 4,5 bilhões e R$ 3,2 bilhões, respectivamente.

O governo tem afirmado que o aumento desse déficit é explicado, em parte, pelo aumento dos investimentos feitos pelas empresas estatais federais, mas especialistas apontam que eventos extraordinários em empresas com problemas operacionais ajudam a aprofundar o rombo.

Crise dos Correios

Os Correios pesaram de forma significativa no resultado negativo, com necessidade de reestruturação e de recursos para enfrentar a crise financeira.

Conforme informou a própria empresa, o presidente Emmanoel Rondon afirmou que a companhia precisará de mais R$ 8 bilhões em 2026 para o enfrentamento da crise financeira, e que a forma de captação, entre aportes do Tesouro Nacional ou novo empréstimo, ainda está em análise.

Recentemente, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras, para quitar dívidas e aliviar o caixa, depois de a ideia inicial de tomar um empréstimo de R$ 20 bilhões, que não foi autorizado pelo Tesouro Nacional em função da alta taxa de juros proposta.

Impacto para as contas públicas e próximos passos

O rombo nas estatais federais pressiona o Tesouro Nacional, porque algumas soluções possíveis envolvem aportes com recursos públicos ou garantias que podem ampliar o ônus sobre as contas fiscais.

O governo e as próprias empresas ainda precisam definir como serão feitas as captações e quais medidas de reequilíbrio serão priorizadas, enquanto o mercado e analistas monitoram o risco de efeitos maiores sobre o déficit público.

O quadro exposto mostra que, além do aumento de investimentos, problemas operacionais pontuais, como a crise dos Correios, contribuíram para o resultado de R$ 6,3 bilhões no acumulado do ano.