Estatais federais têm rombo recorde e déficit acumulado que preocupa, R$ 6,3 bilhões no ano, investimentos crescentes e crise dos Correios pressionam contas públicas

Dados mostram aumento do déficit nas estatais federais, com impacto dos investimentos e da crise dos Correios, pressionando o caixa e a discussão sobre aportes públicos

O conjunto de empresas controladas pela União registrou piora financeira no ano, em parte associada ao aumento de investimentos e à deterioração de algumas companhias.

Entre os exemplos mais graves está a situação dos Correios, cuja necessidade de recursos vem elevando a pressão sobre as contas das estatais e do Tesouro.

Os números recentes confirmam a mudança no quadro e aumentam o debate sobre a forma de financiamento, conforme informação divulgada pelo g1.

Panorama dos números e comparação histórica

Segundo os dados, no acumulado até novembro do ano passado, as estatais federais haviam registrado déficit de R$ 6 bilhões, enquanto no mesmo período de 2023, o saldo negativo foi de R$ 343 milhões.

Em anos anteriores, o quadro era diferente, com saldos positivos, por exemplo, em 2022 e 2021, quando o saldo foi superavitário em R$ 4,5 bilhões e R$ 3,2 bilhões, respectivamente.

A comparação começou em 2009, quando o cálculo mudou para desconsiderar grandes empresas federais como Petrobras e Eletrobras, que saíram do indicador por terem regras diferenciadas e se assemelharem a empresas privadas de capital aberto.

Por que o rombo cresceu e o papel dos investimentos

O governo tem afirmado que o aumento desse déficit é explicado, em parte, pelo aumento dos investimentos feitos pelas empresas estatais federais.

Mesmo assim, a piora do resultado anual também reflete problemas operacionais e financeiros em companhias específicas, que não se compensam apenas com maior investimento.

Crise dos Correios e pedidos de apoio

Os Correios estão entre as estatais que mais pesam no resultado negativo, em situação considerada crítica.

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que a companhia precisará de mais R$ 8 bilhões em 2026 para o enfrentamento da crise financeira.

Rondon disse que a captação desses recursos poderá se dar por meio de aportes de verbas públicas do Tesouro Nacional ou através de um novo empréstimo.

Na semana passada, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras, para quitar dívidas e aliviar o caixa, depois que a ideia inicial da estatal era a tomada de um empréstimo de R$ 20 bilhões, que não foi autorizado pelo Tesouro Nacional em função da alta taxa de juros que havia sido proposta.

Consequências fiscais e cenários para 2025 e 2026

O aumento do déficit nas estatais federais eleva o debate sobre o uso de recursos públicos, a necessidade de reestruturações e a sustentabilidade de modelos de gestão atuais.

Se os aportes virem do Tesouro, haverá impacto direto nas contas públicas, se vierem na forma de empréstimos, a empresa acumula mais dívida e custos financeiros.

Especialistas e autoridades terão de avaliar alternativas entre privatizações, reestruturações internas, cortes de despesas e aportes, para reduzir a dependência do orçamento federal e estabilizar resultados futuros.