quinta-feira, junho 4, 2026

Estresse Hídrico Ameaça Safra de Cana em SP: Seca e Calor Elevado Prejudicam Colheita de 2024/25 e Alertam para o Futuro

Share

Estresse hídrico e térmico desafiam a produção de cana-de-açúcar no interior de São Paulo, com impactos significativos na safra atual e projeções preocupantes para a próxima.

O ano de 2025 foi marcado por um cenário climático desafiador no interior de São Paulo, com um desvio negativo nas chuvas e temperaturas elevadas. Esses fatores, conhecidos como deficiência hídrica e estresse térmico, tiveram um impacto direto na qualidade da cana-de-açúcar referente à safra de 2024/25, que foi colhida em abril.

Os meses de janeiro, fevereiro e março foram particularmente críticos, apresentando escassez de chuvas e altas temperaturas. Essa combinação climática adversa afetou não apenas a cana já colhida, mas também a brotação da nova safra, gerando preocupação entre os produtores e especialistas do setor.

Conforme informações divulgadas pelo g1, o agrometeorologista Felipe Pilau, do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Esalq-USP, explica que a cana-de-açúcar é sensível a essas condições. A falta de água e o calor excessivo comprometem a capacidade produtiva da planta, com consequências diretas na produtividade.

Impactos da falta de chuvas e calor na safra 2024/25

O especialista detalha que os meses de janeiro, fevereiro e março foram cruciais e sofreram com a escassez de chuvas e temperaturas elevadas. Essa condição climática prejudicou a qualidade da cana-de-açúcar da safra 2024/25, colhida em abril.

O estresse hídrico, causado pela falta de água, e o estresse térmico, provocado pelas altas temperaturas, atuam em conjunto para diminuir o potencial produtivo da cultura. Pilau ressalta que esses primeiros meses do ano, que deveriam ser chuvosos, tiveram um impacto negativo na produtividade da cana colhida nesta safra.

Geada agrava a situação, afetando a nova brotação

Além do estresse hídrico, a produção de cana-de-açúcar também enfrentou o estresse térmico de forma negativa. Os meses mais frios, em vez de trazerem alívio, apresentaram temperaturas baixas que, em algumas regiões, levaram à formação de geada.

A geada é particularmente prejudicial para a cana-de-açúcar, afetando a rebrota das plantas. Segundo o agrometeorologista, diversas áreas tiveram a brotação prejudicada pela geada, o que impactará diretamente as próximas safras que serão colhidas.

Projeções para a próxima safra e recomendações

As projeções para os próximos meses indicam a continuação de um cenário de chuvas abaixo do esperado. Em setembro e outubro, o volume de chuvas já foi inferior ao previsto, e em novembro, apesar de um pico de chuva no início do mês, o volume concentrado não foi suficiente para reverter o quadro de deficiência hídrica.

Pilau adverte que a concentração de chuva em um único dia pode levar à drenagem do solo, impedindo que a água seja devidamente retida. A expectativa é de que os meses seguintes apresentem chuvas dentro do normal ou ligeiramente abaixo da média, o que pode resultar em produtividades um pouco menores do que o esperado para a próxima safra.

Diante desse panorama, especialistas recomendam um foco intensivo no manejo agrícola para minimizar os efeitos do clima adverso. Investir em estações meteorológicas, sistemas de monitoramento e na utilização de previsões climáticas são passos essenciais para ajustar as práticas de cultivo e mitigar os prejuízos.

Dados da Unica indicam recuo na moagem

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também aponta para um cenário de retração. Na primeira quinzena de novembro, as unidades produtoras da região Centro-Sul processaram 18,76 milhões de toneladas, um recuo em comparação com os 16,41 milhões da safra 2024/2025.

No acumulado da safra 2025/2026 até 16 de novembro, a moagem atingiu 576,25 milhões de toneladas, apresentando um recuo de 1,26% em relação ao mesmo período do ciclo anterior, quando foram registradas 583,59 milhões de toneladas. Além disso, um número maior de unidades produtoras já encerrou a moagem antecipadamente neste ciclo, indicando um possível adiantamento do fim da safra em algumas regiões.

Leia Mais

Fique por dentro