EUA apreendem navio petroleiro e sancionam familiares de Maduro em escalada contra Venezuela

EUA intensificam pressão sobre Venezuela com apreensão de petróleo e novas sanções contra familiares de Maduro

O governo dos Estados Unidos anunciou novas e significativas medidas contra a Venezuela, incluindo a apreensão de um navio petroleiro carregado com petróleo venezuelano e a imposição de sanções contra familiares do presidente Nicolás Maduro. Essas ações marcam uma escalada na tensão entre os dois países e visam aprofundar o isolamento do regime de Caracas.

A operação de apreensão do navio ocorreu na costa da Venezuela, com forças americanas descendo de helicópteros para assumir o controle da embarcação. O petróleo a bordo, avaliado em milhões de dólares, será escoltado para um porto nos Estados Unidos. Paralelamente, o Departamento do Tesouro americano divulgou novas sanções contra três sobrinhos de Cilia Flores, esposa de Maduro, com acusações de envolvimento em tráfico de drogas.

Conforme informação divulgada pelo G1, as novas sanções e a apreensão do navio ocorrem em meio a uma escalada de tensões sem precedentes com o regime Maduro. A ação americana aumenta os temores de um conflito aberto entre os dois países, em um cenário já marcado por mobilização militar dos EUA e bombardeios a barcos no Caribe.

Golpe ao “regime” socialista e acusações de narcotráfico

A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, declarou que a apreensão do petroleiro foi um golpe ao “regime” socialista de Caracas. Ela afirmou que a operação foi bem-sucedida em garantir que os EUA estão “contra-atacando um regime que sistematicamente enche o nosso país de drogas mortais”. Os Estados Unidos acusam há anos a Venezuela de ser um Estado nas mãos de narcotraficantes.

O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou simultaneamente novas sanções contra três sobrinhos de Cilia Flores, esposa do presidente venezuelano, afirmando que dois deles são “traficantes de drogas que atuam na Venezuela”. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou que “Nicolás Maduro e seus parceiros criminosos na Venezuela estão inundando os Estados Unidos com drogas que envenenam o povo americano”.

Petroleiro apreendido e a reação de Maduro

O petroleiro apreendido, que no passado navegava sob o nome Adisa, foi identificado pelo Departamento do Tesouro em 2022 por supostos vínculos com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e o Hezbollah. No momento da abordagem, transportava 1,1 milhão de barris de petróleo, segundo registros do site MarineTraffic, embora Maduro tenha alegado que eram 1,9 milhão. A tripulação do navio está sendo interrogada e a embarcação será conduzida a um porto americano, segundo anunciou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.

Em resposta, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, classificou a apreensão do navio petroleiro como um ato de “pirataria naval criminosa”. Horas antes, Maduro conversou por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, que reiterou seu apoio. O Kremlin informou que “Vladimir Putin expressou sua solidariedade com o povo venezuelano e confirmou seu apoio à política do governo de Maduro”. Cuba também manifestou solidariedade ao governo Maduro.

Sanções a familiares e escalada de hostilidade

Além das seis empresas sancionadas anteriormente, o Tesouro dos EUA sancionou outros seis navios petroleiros. O Departamento do Tesouro retomou o caso de dois sobrinhos de Cilia Flores, Franqui Francisco Flores de Freitas e seu primo Efraín Antonio Campos Flores, que foram detidos no Haiti em 2016 e condenados em 2017 por tráfico de drogas em Nova York, sendo posteriormente libertados pelo presidente Joe Biden em troca de presos americanos na Venezuela. Novas sanções foram impostas a eles, bem como a outro sobrinho, Carlos Erik Malpica Flores, e a seis empresas de navegação.

A apreensão de petróleo representa uma escalada significativa na campanha de hostilidade contra a Venezuela. O governo de Maduro protestou, classificando o ataque como um “roubo descarado” e um “ato de pirataria internacional”. O mandatário, ele próprio alvo de sanções, conversou por telefone com Putin, que reiterou seu apoio.

Opositora venezuelana apoia ações dos EUA

A opositora venezuelana María Corina Machado, ao chegar a Oslo para receber o Prêmio Nobel da Paz, manifestou seu apoio ao presidente americano Donald Trump e à sua campanha contra Maduro. Ela assegurou que os Estados Unidos a ajudaram a sair do país e que levará o prêmio “à Venezuela no momento adequado”. O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou-se “preocupado” com a apreensão do navio.