Novo guia do Departamento do Tesouro abre caminho para a revenda de petróleo venezuelano a Cuba, com exigência de que transações não beneficiem instituições militares ou órgãos do governo cubano
A decisão publicada pelo Tesouro dos EUA autoriza empresas a solicitar licença para revender petróleo venezuelano a Cuba, potencialmente aliviando a escassez de combustível que atinge a ilha.
O envio de cargas havia sido interrompido em janeiro, quando Washington assumiu o controle das exportações da Venezuela, após a captura do presidente Nicolás Maduro, e isso agravou a crise energética cubana.
Mesmo com a autorização, persiste a dúvida sobre a capacidade financeira de Cuba para comprar no mercado à vista, já que, nos últimos anos, o país enfrentou dificuldades para pagar importações de combustível, conforme informação divulgada pelo g1
O que mudará na prática
As orientações permitem que tradings e empresas peçam licença para a revenda de petróleo venezuelano a Cuba, desde que as operações não beneficiem o governo nem as Forças Armadas cubanas. Segundo o texto do Tesouro, as transações autorizadas devem apoiar o povo cubano e o setor privado.
Limites e condições apontados pelo Tesouro
O documento deixa claro que operações que envolvam ou beneficiem as Forças Armadas ou outras instituições do governo cubano não serão autorizadas. As orientações afirmam que as transações devem ‘apoiar o povo cubano, incluindo o setor privado’, o que abrange usos comerciais e humanitários.
Desafios financeiros e comerciais
Apesar da liberação, ‘não está claro se Cuba terá condições de comprar petróleo sem condições especiais’, porque a aquisição junto às grandes tradings costuma exigir garantias bancárias e pagamento antecipado. O Tesouro também informou que os interessados ‘não precisam ter, obrigatoriamente, uma empresa constituída nos EUA’.
Contexto geopolítico e impactos regionais
Por mais de 25 anos, a Venezuela foi a principal fornecedora de petróleo e combustíveis para Cuba, via acordos bilaterais. Com as exportações venezuelanas controladas pelos EUA, grandes tradings como Vitol e Trafigura passaram a concentrar a maior parte das vendas, enviando milhões de barris para diversos mercados e mantendo estoques em terminais caribenhos para revenda.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que aliados da Venezuela agora ‘terão de pagar preços de mercado pelas cargas’. A autorização do Tesouro chega no momento em que o secretário de Estado Marco Rubio iniciou conversas no Caribe sobre os riscos de uma crise humanitária em Cuba, que poderia desestabilizar a região.
Se a revenda de petróleo venezuelano a Cuba se concretizar dentro das novas regras, a medida poderá aliviar a escassez imediata de combustível, mas dependerá de acordos comerciais viáveis e de garantias financeiras, além do cumprimento estrito das restrições impostas pelo Tesouro.