EUA e China: Washington quer relações estáveis com a China, mas não confia em Pequim, e Trump eleva tarifas globais para 15% antes de encontro com Xi Jinping
Alta diplomacia e atritos comerciais marcam a relação EUA e China, com declarações de subsecretário americano e protestos de Pequim após aumento de tarifas de Donald Trump
O governo dos Estados Unidos busca estabilidade nas relações com a China, mas mantém dúvidas sobre a confiabilidade de Pequim, afirmou um alto funcionário do Departamento de Estado durante audiência no Congresso.
As declarações chegam dias antes da visita do presidente Donald Trump à China, quando ele deve se reunir com o presidente Xi Jinping, e no mesmo momento em que Washington anunciou um aumento global de tarifas de importação para 15%.
Esses pontos e os riscos para o comércio internacional foram apresentados durante a sessão no Congresso, conforme informação divulgada pelo g1.
O que disse Jacob Helberg
Em audiência, Jacob Helberg, subsecretário de Estado para Assuntos Econômicos, definiu a postura americana em relação à China com uma frase direta, ao explicar o estado das conversações entre Washington e Pequim, ele disse, “relações estáveis com a China, mas não confia”.
A declaração de Helberg sinaliza que, apesar da intenção de manter canais diplomáticos abertos, a administração dos EUA encara a parceria com cautela, e pretende manter monitoramento e medidas econômicas que protejam interesses nacionais.
O aumento das tarifas e a justificativa de Trump
O aumento das taxas foi anunciado por Donald Trump, que elevou a tarifa global de importação de 10% para 15%. Em comunicado citado na audiência, o presidente afirmou que, “como Presidente dos Estados Unidos da América, estarei, imediatamente, elevando a tarifa mundial de 10% sobre os países (…) para o nível legalmente permitido de 15%.”
Trump justificou a medida como correção de “décadas de práticas comerciais injustas” que, segundo ele, prejudicaram a economia americana. A promoção de tarifas entra na estratégia de governo para fortalecer a indústria nacional.
O aumento veio depois de uma decisão da Suprema Corte dos EUA, liderada pelo presidente da Corte, John Roberts, que concluiu que o presidente precisava de autorização clara do Congresso para impor um aumento tarifário amplo, gerando discussões sobre a legalidade do instrumento usado.
Reação de Pequim e riscos para o comércio
O Ministério do Comércio da China reagiu à medida pedindo a suspensão das tarifas, e qualificou as taxas como violação das regras do comércio internacional e da legislação interna dos EUA, além de dizer que elas “não são do interesse de nenhuma das partes”.
Em nota, o ministério chinês ressaltou que está fazendo uma avaliação completa do caso e observou que os EUA podem manter tarifas por meios alternativos, como investigações comerciais. O texto acrescentou que “A China continuará acompanhando de perto essa situação e defenderá firmemente seus interesses”.
Analistas alertam que a escalada tarifária entre EUA e China aumenta a incerteza para cadeias de suprimentos globais e para empresas que dependem de comércio bilateral, e pode complicar as conversas bilaterais previstas para a visita de Trump.
O que esperar da visita de Trump a Xi
A visita do presidente dos EUA a Pequim terá como pano de fundo a tentativa de conciliar interesses estratégicos e econômicos, diante de uma relação que combina cooperação e concorrência. A administração americana, segundo Helberg, busca manter uma relação estável com a China, mas age com cautela, o que deverá permear as negociações.
As próximas semanas serão decisivas para saber se a agenda bilateral vai priorizar acordos concretos sobre comércio ou se os atritos legais e tarifários irão limitar avanços. Nos bastidores, autoridades de ambos os lados acompanham a repercussão das medidas e avaliam passos seguintes.