Medida autoriza retomada de produção e novos investimentos no petróleo venezuelano, prevê controle americano sobre receitas e impõe limites a transações com Rússia, Irã e China
Os Estados Unidos emitiram duas licenças gerais que abrem caminho para que grandes petrolíferas internacionais retomem operações de petróleo e gás na Venezuela, e para que novas parcerias e investimentos sejam firmados no setor.
As autorizações atingem companhias como Chevron, BP, Eni, Shell e Repsol, e incluem exceções para fornecimento de bens, tecnologia e serviços destinados à exploração e produção, segundo o anúncio oficial.
A decisão é apontada como a maior flexibilização de sanções desde a captura e destituição do presidente Nicolás Maduro no mês passado, e prevê que os lucros das vendas fiquem sob controle americano até que haja um “governo representativo” na Venezuela.
conforme informação divulgada pelo g1
O que prevê cada licença
Uma das licenças, emitida pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, ligado ao Departamento do Tesouro, autoriza especificamente a Chevron, BP, Eni, Shell e Repsol a retomar operações de petróleo e gás no país.
A segunda licença permite que empresas de todo o mundo firmem contratos para novos investimentos no setor energético venezuelano, incluindo exploração, desenvolvimento e produção, com restrições claras em relação a parceiros de determinados países.
Limitações e proibições
O texto das autorizações proíbe transações com companhias da Rússia, do Irã ou da China, e com entidades pertencentes ou controladas por joint ventures ligadas a pessoas desses países, como parte dos limites impostos pelos EUA.
Além disso, os EUA manterão mecanismos para controlar os lucros obtidos com as vendas de petróleo até que a Venezuela alcance mudanças políticas consideradas aceitáveis pela administração americana.
Impacto econômico e números
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que as vendas de petróleo venezuelano desde a captura de Maduro somaram US$ 1 bilhão, com potencial de alcançar outros US$ 5 bilhões nos próximos meses.
Fontes ligadas à administração americana também indicam que o governo Trump busca atrair até US$ 100 bilhões em investimentos de empresas do setor de energia para a indústria petrolífera venezuelana, como parte de uma estratégia de reaproximação comercial.
Contexto político e próximos passos
Desde 2019 os EUA mantinham sanções contra a Venezuela, impostas inicialmente pelo governo de Donald Trump, e nas últimas semanas o Tesouro tem emitido diversas licenças para facilitar exportações, armazenamento, importações e vendas de petróleo venezuelano.
O governo venezuelano confiscou ativos da Exxon Mobil e da ConocoPhillips em 2007, durante a gestão de Hugo Chávez, e a atual reabertura busca atrair grandes petroleiras de volta ao país, embora algumas, como a Exxon, ainda considerem o país inviável para investimentos no momento.
Segundo Chris Wright, a Exxon está em negociações com o governo venezuelano e coletando dados sobre o setor petrolífero, e empresas interessadas agora poderão avançar avaliações técnicas e financeiras à medida que as licenças forem implementadas.