EUA querem relações estáveis com a China, mas não confiam, diz subsecretário Jacob Helberg, e aumento de tarifas para 15% eleva tensão antes da visita de Trump

Conflito comercial e confiança limitada, relações EUA China entram em momento delicado às vésperas da visita de Donald Trump a Pequim, com impacto em investimentos e no dólar

O governo dos Estados Unidos afirma querer manter relações EUA China estáveis, mas, ao mesmo tempo, expressa uma clara falta de confiança em Pequim, segundo um alto funcionário do Departamento de Estado.

A declaração foi feita em audiência no Congresso por Jacob Helberg, subsecretário de Estado para Assuntos Econômicos, que atua como comissário da Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China.

O comentário acontece semanas antes da viagem do presidente Donald Trump a Pequim, marcada entre os dias 31 de março e 2 de abril, e chega em meio a medidas de tarifas e a sinais de recuo em investimentos chineses no Tesouro dos EUA, conforme informação divulgada pelo g1

O que disse Jacob Helberg sobre confiança e estabilidade

Na audiência, Helberg resumiu a posição americana com a frase, “relações estáveis ​​com a China, mas não confiam“, definindo a atual postura de Washington, e reforçando que a gestão busca pragmatismo nas negociações econômicas e de segurança.

O comentário coloca a agenda bilateral sob a ótica de contenção de riscos, e indica que, mesmo com abertura ao diálogo, questões de segurança e práticas comerciais seguem no centro das preocupações americanas.

Tarifas, reação chinesa e efeitos no mercado

Nos últimos dias, o presidente Donald Trump anunciou um aumento nas tarifas globais de importação, elevando a alíquota de 10% para 15%. Em uma postagem em sua rede social, Trump disse que a medida visa corrigir “décadas de práticas comerciais injustas”.

A decisão veio depois de um pronunciamento da Suprema Corte dos EUA que considerou que Trump havia extrapolado sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas, e foi justificada pelo presidente como resultado de “uma análise completa e detalhada” da situação.

Em resposta, o Ministério do Comércio chinês pediu a suspensão das tarifas, afirmando que as taxas “violam as regras do comércio internacional e a legislação interna dos EUA, e não são do interesse de nenhuma das partes”.

Impacto financeiro, investimentos e o dólar

As tensões comerciais e a incerteza sobre políticas tarifárias influenciaram fluxos financeiros, com reportes de que a China reduziu investimentos no Tesouro dos EUA, movimento que contribuiu para quedas do dólar nos mercados globais.

Analistas apontam que mudanças abruptas nas tarifas e na confiança mútua podem aumentar volatilidade nos mercados, afetando desde taxas de câmbio até decisões de investidores institucionais.

O que está em jogo na visita de Trump

A viagem de Donald Trump a Pequim entre 31 de março e 2 de abril ganha contornos políticos e econômicos, porque reúne a necessidade de diálogo com a pressão de medidas tarifárias recentes e preocupações de segurança.

Em meio à retórica firme sobre comércio, a Casa Branca busca alinhar interesses geopolíticos e econômicos, enquanto a China demanda a suspensão de medidas que considera prejudiciais, cenário que pode definir os rumos das relações EUA China nos próximos meses.