EUA, Ucrânia e Rússia em Abu Dhabi, primeira reunião trilateral para acabar com a guerra, documentos ‘quase prontos’ e impasse sobre controle e anexação do Donbas
Cúpula inédita reúne equipes para negociar garantias de segurança dos EUA, território do Donbas, e a exigência russa de retirada das tropas como condição final para encerrar o conflito
A primeira reunião trilateral entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia começou em Abu Dhabi com o objetivo de avançar em um acordo para pôr fim à guerra, convocando equipes técnicas antes de qualquer encontro entre os chefes de Estado.
A negociação concentra-se em cláusulas de segurança que os EUA ofereceriam no pós-guerra e na questão territorial do Donbas, apontada como o ponto final a ser resolvido, segundo diplomatas envolvidos.
Antes do encontro, a Rússia reafirmou a exigência de que a Ucrânia retire suas tropas do Donbas, e os dirigentes falam em documentos diplomáticos já em estágio avançado.
conforme informação divulgada pelo g1
O que está em discussão
As delegações vão trabalhar sobre textos que, segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, estão “quase prontos”. A expectativa é ajustar garantias de segurança, incluindo apoio dos EUA, e definir a situação territorial que resta entre as partes.
Para a Rússia, o controle do Donbas é central, e o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que “É bem conhecido que a posição da Rússia é que a Ucrânia e as Forças Armadas ucranianas devem deixar Donbas. Esta é uma condição muito importante”.
Posições das partes
O líder ucraniano enfatizou que “os russos devem estar preparados para chegar a compromissos”, ao mesmo tempo em que declarou que não aceitará ceder territórios que ainda estejam sob controle ucraniano sem garantias claras.
Os EUA atuam como garante de segurança potencial no pós-conflito, após negociações entre Zelensky e o presidente norte-americano, Donald Trump, às margens do Fórum Econômico Mundial em Davos, que a Ucrânia descreveu como produtivas.
O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, também se reuniu com Vladimir Putin em Moscou, e afirmou que “falta apenas uma questão entre Ucrânia e Rússia” para que um acordo avance, segundo relatos oficiais.
Riscos e demandas
A Rússia voltou a mencionar uma possível “fórmula Anchorage” como caminho para uma solução pacífica, numa referência simbólica a encontros anteriores entre líderes, e condicionou um acordo à retirada das forças ucranianas do Donbas.
Do lado ucraniano, há resistência a aceitar a anexação ou perda de territórios que permaneçam sob sua administração, e Zelensky destacou que os documentos de paz estão “quase prontos” após consenso sobre garantias de segurança.
Próximos passos e desfecho possível
Em Abu Dhabi, as equipes negociadoras devem tentar transformar os textos avançados em um esboço aceitável para os governos, sem que, por ora, os presidentes se sentem à mesma mesa.
Trump comentou sobre o possível fim do conflito, dizendo, “Terminamos com oito guerras, e acredito que o fim de outra esteja vindo muito em breve”, enquanto a situação final dependerá do acordo sobre o Donbas, apontado como a última pendência entre as partes.
O líder da delegação russa em Abu Dhabi é o almirante Igor Kostyukov, e o resultado dos encontros deve indicar se há margem para concessões, ou se a negociação ficará travada na demanda russa por retirada e anexação parcial do território.