Europa contrata menos e acende alerta sobre o futuro do trabalho, BCE vê emprego a 0,6%, Alemanha prepara cortes e IA pressiona mercados e setores-chave

Crescimento das vagas na zona do euro desacelera para 0,6%, surgem sinais de “Grande Hesitação” e trabalhadores evitam trocar de emprego em meio ao avanço da IA

A onda da chamada “Grande Demissão” após a pandemia deu lugar a uma fase de menor mobilidade no mercado de trabalho europeu, com trabalhadores mais cautelosos para mudar de emprego.

O setor industrial mostra sinais de enfraquecimento e a adoção mais lenta de tecnologia no continente não impede o temor de que a inteligência artificial substitua tarefas humanas.

As informações e dados a seguir, reunidos a partir do material recebido, apresentam o retrato dessa transição no mercado de trabalho europeu, conforme informação divulgada pelo g1.

Da “Grande Demissão” à “Grande Hesitação”

Por um breve período durante e após a pandemia, trabalhadores na Europa tiveram vantagem em suas negociações, com horários flexíveis e maior disposição para deixar empregos, o que ficou conhecido como a “Grande Demissão”.

Hoje, essa dinâmica mudou para o que se chama de “Grande Hesitação”, um cenário em que empregadores pensam duas vezes antes de contratar e funcionários evitam pedir demissão em um ambiente mais incerto.

Segundo o texto analisado, “a onda da ‘Grande Demissão’ pós-pandemia deu lugar à ‘Grande Hesitação’, com trabalhadores menos dispostos para mudar de emprego em meio a incertezas”.

Dados e projeções, o que mostram os números

O mercado de trabalho da zona do euro, composta por 21 países, “deve crescer mais lentamente este ano, a 0,6%, em comparação com 0,7% em 2025, segundo o Banco Central Europeu (BCE)”.

O impacto desse recuo pode ser relevante, porque, segundo a mesma apuração, “cada diferença de 0,1 ponto percentual representa em torno de 163 mil novos empregos a menos criados”.

Há apenas três anos, “a zona do euro criou cerca de 2,76 milhões de novos empregos, enquanto crescia a uma taxa robusta de 1,7%”, o que mostra o grau de desaceleração atual.

Quem está mais exposto, cortes e focos de demanda

Na Alemanha, “mais de uma em cada três empresas planeja cortar empregos este ano, de acordo com o think tank econômico IW, com sede em Colônia”. Esse recuo na indústria afeta também França, Itália e Polônia.

O enfraquecimento industrial se reflete no PMI da indústria da zona do euro, que “caiu para 48,8 em dezembro, o mais baixo em nove meses”, sinalizando contração em setores produtivos onde as vagas foram concentradas.

Mesmo assim, existem mercados e setores com crescimento, como Espanha, Luxemburgo, Irlanda, Croácia, Portugal e Grécia, e áreas com forte demanda por profissionais, como varejo, saúde, logística e engenharia.

O papel e o receio da inteligência artificial

A adoção de IA na Europa tem sido mais lenta do que nos Estados Unidos e na China, mas os temores entre trabalhadores são claros. Um estudo da EY registou que “um quarto dos trabalhadores europeus teme que a IA possa colocar seus empregos em risco, enquanto 74% acreditam que as empresas precisarão de um quadro de funcionários menor como resultado da tecnologia”.

O Instituto de Pesquisa de Emprego (IAB) projetou que “1,6 milhão de empregos somente na Alemanha poderiam ser remodelados ou perdidos para a IA até 2040”. A apuração acrescenta que “a Agência Federal do Trabalho prevê que os cargos altamente qualificados serão desproporcionalmente afetados, embora o setor de tecnologia possa criar cerca de 110 mil novos empregos”.

Especialistas ouvidos no levantamento destacam visões diferentes sobre o efeito da IA: desde cenários de redistribuição de tarefas, até riscos de perda de identidades profissionais em segmentos mais afetados.

Percepções, reputação e o que esperar para 2026

Relatos indicam que manchetes sobre cortes nas indústrias mais valorizadas podem prejudicar a atração de jovens talentos. Como disse Bettina Schaller Bossert, “Muitos jovens recém-formados acreditam que não há futuro no setor automotivo. Eles não estão interessados em seguir carreira [nas montadoras europeias], mesmo que existam novas e fantásticas oportunidades”.

Para analistas, a transformação pode significar menos vagas em alguns campos e mais em outros, exigindo requalificação e políticas públicas atentas para reduzir desequilíbrios.

O mercado segue com áreas de forte demanda, pressões por adaptação às tecnologias e sinais de cautela entre trabalhadores e empresas, o que vai moldar o futuro do trabalho na Europa nos próximos anos.

Fontes citadas nas informações acima incluem levantamento e reportagens citadas na matéria original.