Queda nas vagas, avanço da IA e fragilidade industrial mudam escolhas profissionais, emprego na zona do euro deve crescer 0,6% em 2026 e o futuro do trabalho fica em risco
Por um período após a pandemia os trabalhadores tiveram vantagem no mercado, com opções como trabalho remoto e pacotes de benefícios, e muitos consideraram trocar de emprego.
Hoje essa dinâmica mudou, com menos contratações, confiança abalada e preocupação com a automação, gerando mais cautela entre profissionais.
Os dados e análises que seguem mostram por que especialistas e empresas já falam em uma “Grande Hesitação” e em medidas para se preparar para o futuro, conforme informação divulgada pelo g1
Queda nas contratações e números que explicam o desaquecimento
O Banco Central Europeu projeta que o mercado de trabalho da zona do euro, composta por 21 países, deve crescer **0,6%** este ano, ante **0,7%** em 2025.
Embora a diferença pareça pequena, cada variação de **0,1 ponto percentual** representa cerca de **163 mil novos empregos a menos**. Há apenas três anos, a zona do euro criou aproximadamente **2,76 milhões** de novos empregos, quando crescia a **1,7%**.
Além disso, a migração líquida, que vinha ajudando a suprir vagas, está se estabilizando ou diminuindo, reduzindo uma importante fonte de oferta de mão de obra.
Pressão na Alemanha e perdas na indústria
A Alemanha dá sinais claros da mudança, com **mais de uma em cada três empresas** planejando cortar empregos este ano, segundo o think tank econômico IW, com sede em Colônia.
Setores como o automotivo, máquinas, metalurgia e têxtil foram particularmente afetados. Segundo dados do governo alemão, a base industrial perdeu **mais de 120 mil postos de trabalho**, por fatores como altos custos de energia, fraca demanda por exportações e concorrência da China.
Essas dificuldades arrastaram o Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria da zona do euro para **48,8** em dezembro, a leitura mais baixa em nove meses, um nível que indica contração da atividade industrial.
Medo da inteligência artificial e projeções sobre empregos
A adoção da inteligência artificial é vista com apreensão por trabalhadores, mesmo que a Europa implemente a tecnologia mais devagar que Estados Unidos e China.
Um estudo da EY mostrou que **um quarto dos trabalhadores europeus teme que a IA possa colocar seus empregos em risco**, e **74%** acreditam que as empresas terão um quadro de funcionários menor por causa da tecnologia.
Na Alemanha, o Instituto de Pesquisa de Emprego (IAB) projetou que **1,6 milhão de empregos** podem ser remodelados ou perdidos para a IA até 2040, enquanto a Agência Federal do Trabalho prevê impacto maior em cargos altamente qualificados, com criação de vagas no setor de tecnologia, cerca de **110 mil**.
Focos de demanda e adaptação ao novo cenário
Nem toda a Europa enfrenta retração, e alguns países como **Espanha, Luxemburgo, Irlanda, Croácia, Portugal e Grécia** devem ver crescimento do emprego, beneficiados por setores locais, como o turismo no caso da Espanha.
Além disso, a escassez de mão de obra tornou-se mais setorial, com falta de profissionais em varejo, saúde, logística, engenharia e funções altamente especializadas, segundo especialistas de recrutamento.
Termos como **”Grande Hesitação”** e **career cushioning**, o preparo discreto de um plano B, refletem a nova mentalidade, com trabalhadores mais cautelosos, e empresas repensando estratégias de contratação e formação para enfrentar o desafio de um futuro do trabalho mais automatizado e incerto.
Para profissionais e empregadores, o momento exige adaptação, investimento em requalificação e comunicação clara sobre como a tecnologia será integrada, para reduzir medo e preservar oportunidades no mercado.