Europa rebate acusação dos EUA sobre ‘apagamento civilizacional’, Kaja Kallas, Marco Rubio e líderes defendem valores, migração e cooperação transatlântica
Reação na Conferência de Segurança de Munique marca resposta firme da União Europeia às críticas americanas, com defesa de políticas migratórias, natalidade e liberdade de expressão
Autoridades europeias reagiram neste domingo a críticas dos Estados Unidos que afirmaram que o continente estaria passando por um “apagamento civilizacional”.
Representantes da UE e líderes de países europeus disseram que, apesar das divergências, a cooperação transatlântica deve continuar, e que as acusações não refletem a realidade dos avanços promovidos na região.
As declarações ocorreram durante a Conferência de Segurança de Munique, e incluem falas de Kaja Kallas, Marco Rubio e Keir Starmer, conforme informação divulgada pelo g1.
O ponto levantado pelos EUA e a resposta europeia
O documento de segurança dos Estados Unidos, divulgado em dezembro, sugere uma “perspectiva real e mais dura de apagamento civilizacional” para a Europa, citando fatores como políticas migratórias, queda nas taxas de natalidade, suposta censura à liberdade de expressão, repressão à oposição política e perda de identidades nacionais.
Em Munique, a chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, contestou frontalmente essa visão, enfatizando que a Europa continua sendo desejada por muitos, e que o continente promove progresso e direitos.
As palavras de Kaja Kallas
Kallas afirmou, textualmente, “Contrariamente ao que alguns dizem, essa Europa ‘woke’ e decadente não está enfrentando um apagamento civilizacional”.
Ela destacou que, na avaliação dela, pessoas em outros países demonstram interesse em se associar ao bloco europeu, e criticou o que chamou de ataques generalizados ao continente.
Ao lembrar que a Europa defende direitos humanos e gera prosperidade, Kallas reforçou a ideia de que observadores externos erram ao traçar um quadro de declínio absoluto.
Tom de Washington e posição de Marco Rubio
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, buscou amenizar o tom, ao dizer que o fim da era transatlântica “não é objetivo nem desejo” dos Estados Unidos, e que, apesar de a casa americana estar no hemisfério ocidental, “sempre seremos filhos da Europa”.
Rubio deixou claro, no entanto, que o governo americano manterá posições firmes em temas como migração, comércio e clima, sinalizando que divergências políticas e estratégicas permanecerão.
Reações de outros líderes europeus
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, defendeu a proteção de “as sociedades vibrantes, livres e diversas que representamos”, afirmando que a convivência de pessoas diferentes é uma fonte de força para a Europa.
Autoridades presentes na conferência também insistiram que vão continuar a defender políticas climáticas, liberdade de expressão e livre comércio, mesmo diante de pressões externas.
Implicações para a aliança transatlântica
Para figuras europeias, a conversa em Munique serviu para mostrar que desacordos não precisam significar ruptura, e que é possível manter cooperação prática mesmo com prioridades distintas.
Kallas avaliou que o discurso de Rubio enviou um sinal de que Estados Unidos e Europa seguem interligados, e reconheceu que “não concordamos em todos os temas, e isso continuará sendo assim, mas podemos trabalhar a partir daí”.
O episódio ressalta a tensão entre defesa de soberania e valores nacionais, e a necessidade de diálogo contínuo para gerir diferenças em migração, clima e comércio, enquanto se preserva a aliança transatlântica.