Europa rebate EUA sobre ‘apagamento civilizacional’, Kaja Kallas, Keir Starmer e líderes defendem valores do continente e pedem cooperação transatlântica

Autoridades europeias responderam às alegações americanas de um suposto apagamento civilizacional, defendendo que o continente continua atraente, próspero e comprometido com direitos e progresso

A reação europeia veio nesta edição da Conferência de Segurança de Munique, onde líderes do bloco e aliados ressaltaram que divergências não devem romper a cooperação transatlântica.

Chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas rejeitou as críticas que descrevem a Europa como decadente, e destacou que o continente segue gerando avanços e atraindo adesões.

As declarações foram feitas após o documento de segurança dos Estados Unidos citar uma “perspectiva real e mais dura de apagamento civilizacional”, conforme informação divulgada pelo g1.

Resposta de Kaja Kallas

Em Munique, Kaja Kallas afirmou, em tom direto, que, “Contrariamente ao que alguns dizem, essa Europa ‘woke’ e decadente não está enfrentando um apagamento civilizacional”.

Ela ressaltou que “as pessoas ainda querem se juntar ao nosso clube”, lembrando que encontrou sinais de interesse pelo bloco mesmo fora da Europa, e defendeu que o continente promove “avanços para a humanidade, defendendo direitos humanos e gerando prosperidade”.

Kallas criticou o que chamou de ataques generalizados ao continente e disse que é difícil acreditar nas acusações que pintam a Europa como em declínio.

Posição dos EUA e tom de Marco Rubio

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, buscou amenizar o tom, afirmando que o fim da era transatlântica “não é objetivo nem desejo” dos Estados Unidos, e que, apesar de divergências, laços permanecem.

Rubio afirmou também que, “Nossa casa pode estar no hemisfério ocidental, mas sempre seremos filhos da Europa”, ao mesmo tempo em que deixou claro que Washington dará prioridade a políticas próprias em temas como migração, comércio e clima.

Representantes europeus presentes na conferência responderam que vão continuar a defender políticas climáticas, liberdade de expressão e livre comércio, mantendo a cooperação quando possível.

O que diz o documento americano

O documento de segurança dos EUA, divulgado em dezembro, descreve uma estagnação econômica europeia e aponta para uma “perspectiva real e mais dura de apagamento civilizacional”.

Segundo o texto citado, o enfraquecimento seria causado por políticas migratórias, queda nas taxas de natalidade, suposta censura à liberdade de expressão, repressão à oposição política e perda de identidades nacionais.

Autoridades europeias rejeitaram essa análise, argumentando que o foco deve ser na cooperação prática e no debate de políticas, e não em rótulos que minam a aliança.

Repercussões e o caminho adiante

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, pediu proteção para “as sociedades vibrantes, livres e diversas que representamos”, e disse que a convivência pacífica entre diferentes é justamente o que torna a Europa forte.

Para Kallas, o discurso de Rubio reafirmou que Estados Unidos e Europa seguem interligados, e que, embora “não concordemos em todos os temas, e isso continuará sendo assim, mas podemos trabalhar a partir daí”.

O episódio mostra que, apesar do uso de termos duros no debate público, a relação transatlântica permanece em construção, com espaço para críticas, defesa de valores e busca por cooperação nas áreas de segurança, economia e clima.