Exercício militar no Estreito de Ormuz, Irã realiza nova manobra da Guarda Revolucionária para testar prontidão e aumentar pressão antes de negociações nucleares com os EUA em Genebra

Novo exercício militar no Estreito de Ormuz pelo Irã ocorre um dia antes da reunião de negociadores dos EUA e do Irã em Genebra, com objetivo de testar prontidão e enviar sinal militar

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã iniciou mais um exercício no Estreito de Ormuz, região estratégica por onde passa grande parte do comércio de petróleo global.

A Marinha da Guarda Revolucionária iraniana afirmou em comunicado que os exercícios no Estreito de Ormuz têm como objetivo testar a prontidão diante de ‘possíveis ameaças de segurança e militares’, segundo a Tasnim.

A manobra acontece um dia antes do encontro entre negociadores iranianos e norte-americanos em Genebra, em uma rodada que pode decidir os rumos das negociações nucleares, conforme informação divulgada pelo g1.

O que motiva o exercício e a posição iraniana

O Exercício militar no Estreito de Ormuz é apresentado pelas autoridades iranianas como um teste de prontidão, em resposta a tensões com os Estados Unidos.

A principal autoridade nuclear iraniana afirmou nesta semana que o país está disposto a diluir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções impostas ao país.

Segundo a AIEA, o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, perto do nível de uma bomba nuclear, dado que aumenta a pressão internacional sobre Teerã.

Negociações EUA-Irã e risco de escalada

Diplomatas do Irã e dos EUA se reúnem para retomar o diálogo sobre o programa nuclear, após uma primeira rodada no Omã.

O chanceler iraniano Abbas Araqchi disse que o encontro no Omã teve uma ‘atmosfera muito positiva’, mas diferenças profundas permanecem entre as partes.

Do lado norte-americano, o presidente Donald Trump alterna sinais de que há margem para acordo com ameaças, entre elas a promessa de ‘medidas muito duras’ caso as negociações fracassem, e o reforço militar na região com porta-aviões.

Incidentes recentes no Estreito e presença naval dos EUA

Esta é a segunda vez na atual escalada de tensões que a Guarda Revolucionária realiza exercícios no Estreito de Ormuz, área sensível por conta dos fluxos de energia.

Em manobras anteriores, militares iranianos testaram a reação americana em dois episódios, um com um drone Shahed-139 foi abatido próximo ao porta-aviões USS Abraham Lincoln, e outro em que dois barcos iranianos tentaram interceptar um petroleiro dos EUA, mas foram repelidos.

Os Estados Unidos mantêm grupos de ataque de porta-aviões na região, incluindo o USS Abraham Lincoln e o USS Gerald Ford, em postura de dissuasão.

Impacto no tráfego de petróleo e próximos passos

Exercícios militares no estreito tendem a escalar ainda mais as tensões porque a região é considerada sensível por conta dos 30% do volume mundial de petróleo que passam por ali, o que pode afetar preços e rotas comerciais.

Analistas afirmam que o Exercício militar no Estreito de Ormuz pode ser tanto uma demonstração de força quanto uma mensagem às negociações em Genebra, que prosseguem nos próximos dias.

Com a atenção voltada para as conversas diplomáticas e para a movimentação naval, a evolução das negociações e a resposta militar iraniana serão determinantes para reduzir ou ampliar o risco de confronto na região.