Exercícios militares Irã, Rússia e China: manobras navais no Mar de Omã e Oceano Índico elevam tensão enquanto Teerã negocia acordo nuclear com os EUA

Operação conjunta visa criar convergência e coordenação para proteger rotas marítimas, combater terrorismo e formar o chamado Cinturão de Segurança Marítima até o fim de fevereiro

O Irã informou que realizará exercícios navais em conjunto com a Rússia no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico, com início previsto já para quinta-feira.

Autoridades iranianas também anunciaram que, até o fim de fevereiro, haverá novas manobras envolvendo Rússia e China dentro do programa denominado Cinturão de Segurança Marítima.

As ações chegam em um momento de negociações entre Irã e Estados Unidos sobre limites ao programa nuclear iraniano, em um contexto de ameaças e mobilização militar, conforme informação divulgada pelo g1.

Detalhes das manobras

Segundo a agência semioficial Fars, o comandante da Marinha iraniana, Hassan Maghsoodloo, afirmou, “Criar convergência e coordenação em medidas conjuntas para enfrentar atividades que ameaçam a segurança e a proteção marítima (…) bem como combater o terrorismo marítimo estão entre os principais objetivos deste exercício conjunto”.

As manobras Irã-Rússia ocorrem dias após exercícios da Guarda Revolucionária Islâmica no Estreito de Ormuz, que chegaram a levar ao fechamento parcial da passagem na terça-feira.

Negociações nucleares em paralelo

As manobras acontecem enquanto diplomatas iranianos e norte-americanos tentam avançar em um acordo sobre o programa nuclear. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que houve avanços e que o caminho para um acordo estaria aberto.

Autoridades iranianas afirmaram estar dispostas a aceitar inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica, mas avisaram que não cederão a “exigências excessivas”.

Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, perto do nível de uma bomba nuclear.

No plano militar, o presidente dos EUA, Donald Trump, alternou mensagens de possibilidade de acordo com ameaças. Na semana passada, ele disse que tomaria “medidas muito duras” caso as negociações fracassem, e a Casa Branca reforçou a presença naval na região com o envio do porta-aviões USS Gerald Ford, além do grupo de ataque do USS Abraham Lincoln já posicionado no Oriente Médio.

Impacto regional e reações

O aumento de exercícios militares, incluindo os **exercícios militares Irã, Rússia e China**, acendeu alertas sobre segurança das rotas comerciais e escalada de tensão entre Teerã e Washington.

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou que Trump não conseguirá derrubar seu regime e fez ameaças ao porta-aviões USS Abraham Lincoln, que está nas águas do Mar Arábico, no alcance de um eventual ataque ao país.

Do lado dos Estados Unidos, autoridades e políticos reagiram com ceticismo às negociações, e a presença ampliada de navios de guerra na região indica que o conflito diplomático pode ter desdobramentos militares caso as conversas não avancem.

O que observar nas próximas semanas

Fique atento às confirmações oficiais sobre datas e alcance das manobras que envolvem Irã, Rússia e China, às declarações da AIEA sobre o estoque de urânio iraniano, e aos desdobramentos das conversas com os EUA.

O desfecho das negociações nucleares e a reação das potências militares à movimentação naval na região serão determinantes para a estabilidade das rotas marítimas e para o risco de confrontos diretos.