Exportação de petróleo do Brasil registra 10,57 milhões de toneladas em janeiro, maior volume em quase três anos, com pré-sal e novas plataformas impulsionando saída
Vendas subiram 13,3% ante 2025, após entrada de quatro plataformas em campos do pré-sal, mas a receita caiu 7,8% por recuo nos preços da commodity
O Brasil registrou em janeiro um volume de exportação de petróleo que não era visto há quase três anos, em meio à expansão da produção no pré-sal.
O avanço nas vendas externas foi acompanhado, contudo, por queda na receita, por conta do recuo dos preços internacionais do petróleo.
Os dados oficiais compilam volume, receita e preços que mostram um cenário de maior oferta e menor retorno por tonelada, conforme informação divulgada pelo g1.
Volume, aumento e comparação histórica
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, o país exportou 10,57 milhões de toneladas em janeiro, um crescimento de 13,3% ante as 9,33 milhões de toneladas vendidas em janeiro de 2025.
Na série histórica, esse resultado só fica atrás de março de 2023, quando o Brasil exportou 11 milhões de toneladas, ressaltando o ganho de escala recente no setor.
Receita e queda de preços
Apesar do aumento do volume, a receita das vendas externas de petróleo em janeiro recuou 7,8% na comparação anual, para US$ 4,3 bilhões (R$ 22,6 bilhões), informou a Secex.
O preço do petróleo vendido pelo Brasil ficou em US$ 407,4 (R$ 2.142,11) por tonelada, uma redução de 18,6% ante o mesmo mês de 2025, o que explica a perda de receita apesar do maior volume embarcado.
Fatores que impulsionaram as exportações
O crescimento nas exportações segue o aumento da produção em 2025, com entrada de plataformas no pré-sal. Em 2025, a Petrobras colocou três novas plataformas em operação, duas no campo de Búzios e uma no campo de Mero, enquanto a Equinor iniciou produção no campo de Bacalhau, todos na Bacia de Santos.
O aumento de oferta veio acompanhado de recorde de produção em 2025, com o Brasil atingindo 3,770 milhões de barris por dia (bpd), alta de 12,3% ante 2024, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, ANP.
Perspectivas para 2026
A consultoria Rystad Energy projeta que o Brasil será o principal responsável pelo aumento da produção de petróleo na América Latina em 2026, com produção prevista acima de 4,2 milhões de barris por dia, o que pode sustentar volumes elevados de exportação mesmo se os preços permanecerem pressionados.
Os números mostram uma combinação de maior capacidade de extração, por conta do pré-sal e das novas plataformas, e volatilidade de preços, cenário que exige atenção de produtores e formuladores de política econômica.