Exportação de suco de laranja para a UE sobe 55% em janeiro, Cepea aponta 50,3 mil toneladas, e greening e calor pressionam oferta no cinturão citrícola
Exportação de suco de laranja para a UE registra recuperação no fim da safra, com aumento de embarques e pressões por perdas nos pomares causadas por greening e calor
O movimento de vendas externas traz algum alívio às indústrias, após meses de ritmo lento das exportações, enquanto produtores lidam com redução de oferta e elevação de preços da fruta.
Operadores de mercado apontam que a alta nas remessas ao bloco europeu pode ser sazonal, concentrada no fechamento da safra, e que desafios fitossanitários seguem influenciando o fluxo de comércio.
As informações sobre os volumes e os impactos nas regiões citrícolas foram publicadas na cobertura do setor, conforme informação divulgada pelo g1.
O que diz o Cepea sobre os embarques
Sobre os números recentes, “Embarques de suco de laranja ao bloco europeu somaram 50,3 mil toneladas, volume 55% maior que o de janeiro de 2025”, segundo o Cepea, da Esalq-USP em Piracicaba (SP), afirma o levantamento divulgado pelo centro de estudos.
O dado evidencia uma recuperação pontual nas exportações para a União Europeia, principal destino histórico do suco brasileiro, e sinaliza movimento de estoques e contratos que se intensificaram no fim da safra.
Impacto do greening e do calor na oferta
Levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura, Fundecitrus, indica que a região de Limeira, em São Paulo, é a mais afetada pelo greening no cinturão citrícola de SP e MG em 2024.
Segundo o relatório citado, a incidência da doença na região passou de 73,87% para 79,38%, quando comparado a 2023, o que reduz produtividade e eleva os custos de produção.
Consequências para preços e indústria
As perdas nos pomares, somadas às altas temperaturas, pressionam a oferta de fruta, refletindo em aumento dos preços pagos ao produtor e do preço do suco ao consumidor.
Para indústrias, a combinação de menor oferta e recuperação pontual das exportações implica em ajustes na estratégia de vendas, priorizando contratos já firmados e busca por mercados com melhor remuneração.
Perspectivas para os próximos meses
Analistas do setor ressaltam que a alta de 55% nos embarques para a UE pode não se repetir se o greening avançar e se o clima permanecer adverso, fatores que reduzem áreas produtivas e aumentam a necessidade de importações em picos de safra.
Monitoramento fitossanitário, políticas de apoio aos produtores e acordos comerciais serão determinantes para manter a competitividade do suco de laranja brasileiro no mercado internacional.