Exportações de carne bovina crescem em volume e valor, setor amplia presença em mais de 170 países, enfrenta tarifaço dos EUA e projeta avanços em mercados como Japão e Coreia do Sul
O agronegócio brasileiro registrou em 2025 um salto nas exportações de carne bovina, com ampliação do faturamento e da rede de compradores internacionais.
A indústria mostrou reação imediata a barreiras temporárias, e a diversificação de destinos ajudou a sustentar o avanço nas vendas externas.
Os números oficiais foram compilados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, conforme informação divulgada pelo g1.
Volume e faturamento, dados oficiais
Segundo MDIC e ABIEC, os frigoríficos embarcaram 3,50 milhões de toneladas, alta de 20,9% em relação a 2024. O volume exportado movimentou US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior.
A carne bovina in natura respondeu pela maior parte dos embarques, com 3,09 milhões de toneladas, crescimento de 21,4% na comparação anual, e receita de US$ 16,61 bilhões, segundo os dados divulgados pelo setor.
Principais destinos e crescimento por mercados
O Brasil ampliou a presença em mais de 170 países, com a China como principal destino, respondendo por 48% do volume total exportado, com 1,68 milhão de toneladas que somaram US$ 8,90 bilhões.
Em seguida vieram os Estados Unidos, com 271,8 mil toneladas e US$ 1,64 bilhão, o Chile com 136,3 mil toneladas e US$ 754,5 milhões, a União Europeia com 128,9 mil toneladas e US$ 1,06 bilhão, a Rússia com 126,4 mil toneladas e US$ 537,1 milhões, e o México com 118,0 mil toneladas e US$ 645,4 milhões.
Na comparação com 2024 houve crescimento em volume na maior parte dos destinos, com destaque para China, +22,8%, Estados Unidos +18,3%, União Europeia +132,8% e Chile +29,8%. Também se destacaram aumentos para Argélia +292,6%, Egito +222,5% e Emirados Árabes Unidos +176,1%.
Tarifaço dos EUA e a resposta do setor
Apesar do chamado tarifaço temporário imposto pelos Estados Unidos, o setor manteve trajetória de alta. A diversificação de mercados e a força das vendas para a Ásia contribuíram para mitigar o choque comercial.
Segundo o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, o desempenho de 2025 demonstra a “resiliência e a maturidade do setor“, e ele afirmou, “O desempenho de 2025 foi extraordinário. Depois de um 2024 muito positivo, conseguimos ampliar volume, valor e presença internacional. Mesmo com impactos temporários, como o tarifaço dos Estados Unidos, a indústria respondeu com rapidez, mostrou resiliência e saiu ainda mais fortalecida“.
Perspectivas para 2026
A avaliação da Associação é de otimismo com realismo, esperando estabilidade em patamar elevado após dois anos consecutivos de forte crescimento. As expectativas apontam para avanço em mercados estratégicos.
Perosa destacou a continuidade das negociações, e concluiu, “Entramos em 2026 com negociações ativas e perspectiva concreta de avançar em mercados como Japão, Coreia do Sul e Turquia, que têm alto potencial e vêm sendo trabalhados de forma técnica e contínua, em parceria entre o setor privado e o governo“.
Com a expansão das exportações de carne bovina, o Brasil fecha 2025 com números históricos e mantém o foco em consolidar e diversificar clientes para reduzir a exposição a medidas pontuais de barreira comercial.