quinta-feira, junho 4, 2026

Fábricas Secretas Ucranianas Produzem Mísseis Flamingo com Alcance de 3.000 km para Atacar Profundamente a Rússia

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Ucrânia Aposta em Mísseis de Longo Alcance Fabricados Internamente para Desafiar a Rússia

Em um esforço notável de autossuficiência e inovação sob intensa pressão, a Ucrânia está desenvolvendo secretamente mísseis de longo alcance em fábricas ocultas. A produção dessas armas é considerada crucial para a sobrevivência do país e para a capacidade de atingir alvos estratégicos em território russo, enfraquecendo a máquina de guerra do invasor.

A BBC teve acesso a um desses locais sigilosos, onde o míssil Flamingo, um novo desenvolvimento ucraniano, está sendo produzido em larga escala. O sigilo é tal que os jornalistas tiveram seus telefones confiscados e foram instruídos a não filmar detalhes da infraestrutura ou os rostos dos trabalhadores, evidenciando a importância estratégica da operação.

A iniciativa surge em um momento em que a Ucrânia busca diversificar suas fontes de armamento e reduzir a dependência de suprimentos externos, especialmente em um cenário geopolítico volátil. O presidente Volodymyr Zelensky destacou que o país já produz mais de 50% das armas utilizadas na linha de frente, com um foco crescente em sistemas de longo alcance fabricados internamente.

O Míssil Flamingo: Uma Nova Arma Estratégica

O míssil Flamingo é um míssil de cruzeiro ucraniano de longo alcance, projetado para ataques profundos contra a Rússia, com um impressionante alcance de até 3.000 km. Segundo Iryna Terekh, diretora técnica da Fire Point, uma das principais fabricantes de drones e mísseis do país, o míssil foi pintado de preto com a justificativa irônica de que ele “come petróleo russo”.

O design do Flamingo lembra o foguete alemão V1 da Segunda Guerra Mundial, apresentando um motor a jato robusto montado no topo de um corpo longo. Embora a empresa não confirme alvos específicos, sabe-se que esses mísseis já foram utilizados em combate, demonstrando sua capacidade operacional.

O alcance de 3.000 km posiciona o Flamingo como uma arma comparável ao míssil Tomahawk americano, que a Ucrânia não recebeu devido a restrições políticas. A capacidade de realizar ataques profundos é vista como vital para atingir a infraestrutura militar e econômica da Rússia, retardando seus avanços na linha de frente.

Estratégia de Ataques Profundos para Desgastar a Economia Russa

A estratégia ucraniana de ataques de longo alcance visa atingir a economia de guerra russa, diminuindo sua capacidade de sustentar o conflito. O chefe das Forças Armadas da Ucrânia, general Oleksandr Syrskyi, estima que esses ataques já custaram à economia russa mais de US$ 21,5 bilhões (R$ 118 bilhões) somente neste ano.

Ruslan, um oficial das Forças de Operações Especiais da Ucrânia, detalha a estratégia: “Reduzir as capacidades militares do inimigo e o seu potencial econômico.” Suas forças têm realizado centenas de ataques contra refinarias de petróleo, fábricas de armas e depósitos de munições profundamente no território inimigo.

Apesar da Rússia também empregar táticas semelhantes em maior escala, lançando cerca de 200 drones Shahed por dia, a Ucrânia busca compensar a disparidade numérica com inteligência e tática. A fabricante Fire Point, que nem sequer existia antes da invasão russa em 2022, produz atualmente 200 drones por dia, com modelos como o FP1 e FP2 custando cerca de US$ 50 mil, três vezes menos que um drone russo Shahed.

Autossuficiência e a Busca por Independência Tecnológica

A Ucrânia reconhece a necessidade contínua de ajuda externa, especialmente em inteligência e financiamento, mas o foco principal é aumentar a autossuficiência. A Fire Point tem priorizado a aquisição de componentes fabricados na própria Ucrânia, seguindo o princípio de que “ninguém pode influenciar as armas que fabricamos”, segundo Iryna Terekh.

A empresa evita componentes da China e dos Estados Unidos. Terekh explica que a decisão de não usar peças americanas se deve à instabilidade política, citando as mudanças no apoio militar dos EUA sob diferentes administrações. A incerteza sobre futuras garantias de segurança americanas, um ponto crucial nas negociações de paz, reforça a necessidade ucraniana de desenvolver suas próprias capacidades de defesa.

Terekh descreve as negociações de paz em andamento como “negociações de submissão” e afirma que a fabricação de suas próprias armas é “a única maneira de realmente fornecer garantias de segurança”. Ela vê a Ucrânia como um “exemplo sangrento” para outros países em termos de preparação para a guerra, destacando a resiliência e a capacidade de adaptação do país diante de um ataque em larga escala.

O Legado Ucraniano de Resiliência e Inovação

A capacidade da Ucrânia de rapidamente desenvolver e produzir armamentos avançados, como os mísseis Flamingo e seus drones, demonstra uma notável capacidade de inovação e adaptação. Mesmo diante de um conflito prolongado e da perda de terreno na linha de frente, o país tem focado em estratégias para minar a capacidade russa de continuar a guerra.

A filosofia da Fire Point, resumida em seu lema em latim “se não formos nós, então quem?”, reflete o espírito de determinação ucraniano. Denys Shtilerman, designer-chefe e cofundador da empresa, enfatiza que não existe uma “arma milagrosa”, mas sim “a nossa vontade de vencer” como o verdadeiro diferencial.

A história da Ucrânia na produção de armas de longo alcance é um testemunho de sua resiliência e da importância de desenvolver capacidades de defesa independentes. A experiência do país serve como um alerta e um exemplo para outras nações sobre a necessidade de estarem preparadas para conflitos modernos e para a importância da autossuficiência tecnológica em tempos de crise.

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