FGC aponta 160 mil credores do Banco Pleno com R$ 4,9 bilhões a receber, liquidação decretada pelo BC, garantia limitada a R$ 250 mil e orientações para credores

FGC detalha base de credores e orienta uso do aplicativo para solicitar a garantia, enquanto o Banco Central explica motivos da liquidação e medidas futuras

O Fundo Garantidor de Crédito informou que o Banco Pleno tem uma base estimada de 160 mil credores com depósitos elegíveis ao pagamento da garantia, que somam R$ 4,9 bilhões.

O Banco Pleno teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira, e o FGC orienta os clientes sobre o processo de pagamento da proteção limitada a R$ 250 mil.

As informações e as instruções para credores foram divulgadas pelo órgão em comunicado oficial, conforme informação divulgada pelo g1.

O que o FGC informou

O FGC afirmou que, sobre os depósitos elegíveis, “Todos os créditos enquadrados no Regulamento do FGC terão o processo de pagamento iniciado tão logo o levantamento dos dados dos credores seja concluído e disponibilizado”. O fundo pediu que os credores utilizem o aplicativo do FGC, disponível na Apple Store e no Google Play, para simplificar o processo de pagamento de garantias.

Segundo o órgão, os credores já podem realizar o cadastro básico no aplicativo e, em etapa posterior, assim que o FGC receber a relação dos credores do liquidante, será possível realizar a solicitação da garantia, com a identificação do beneficiário e a indicação da conta de sua titularidade, onde o valor da garantia será depositado.

Motivos da liquidação e posicionamento do Banco Central

O Banco Central informou que a liquidação extrajudicial foi adotada após agravamento da situação econômico-financeira da instituição, que passou a ter dificuldade para pagar suas obrigações no dia a dia, além de descumprimento de normas e de determinações da autoridade reguladora.

Em nota, o BC explicou, “A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil.”

Dados do próprio BC indicam que, até setembro do ano passado, o banco concentrava cerca de 0,04% de todos os ativos do setor, então estimados em R$ 18,07 trilhões, o que corresponderia a aproximadamente R$ 7,2 bilhões em ativos controlados pelo banco.

Como os credores devem proceder

Os depositantes e investidores devem acompanhar o processo pelas redes sociais e pelo site do FGC, onde serão disponibilizadas todas as informações e atualizações do processo. O FGC pede que os clientes façam o cadastro básico no aplicativo para agilizar a etapa seguinte.

Quando o liquidante disponibilizar a relação de credores ao FGC, será possível solicitar a garantia, indicar o beneficiário e informar a conta bancária de titularidade para o depósito do valor máximo garantido, de R$ 250 mil.

Consequências e próximos passos

Com a liquidação, os bens dos controladores e administradores ficam indisponíveis, conforme a legislação, e o Banco Central seguirá apurando responsabilidades, podendo aplicar sanções administrativas e encaminhar informações a outras autoridades.

O caso envolve o Banco Pleno e a Pleno DTVM, instituições que faziam parte do grupo do Banco Master e foram vendidas no segundo semestre do ano passado ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.