FGC recebeu 600 mil pedidos entre 800 mil credores no Caso Master, e o fundo alerta para necessidade de atenção reforçada no pagamento de garantias e risco de golpes
O Fundo Garantidor de Créditos, FGC, registrou 600 mil pedidos de cobertura ligados à liquidação do Banco Master, num universo estimado de 800 mil credores.
O presidente do fundo ressaltou que o processo exige cuidado reforçado, porque pode ser alvo de criminosos, e que a prioridade é organizar o pagamento dentro das regras do sistema.
Os detalhes sobre quem tem direito, o teto de cobertura e os produtos incluídos e excluídos serão determinantes para o andamento da liquidação e para a expectativa dos investidores, conforme informação divulgada pelo g1.
Quem tem direito à cobertura do FGC e qual o teto
O FGC cobre depósitos e títulos de poupança e renda fixa emitidos por instituições associadas, com limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição. A indenização considera o valor investido mais os rendimentos acumulados até a data da liquidação, respeitado o teto.
Por exemplo, quem tinha R$ 180 mil aplicados e R$ 100 mil em rendimentos recebe até R$ 250 mil, e o excedente entra na fila da liquidação.
Quais produtos estão cobertos e quais não têm proteção
Estão cobertos, entre outros, CDB e RDB, Letras de Crédito Imobiliário, LCI, e Letras de Crédito do Agronegócio, LCA. Esses produtos entram no escopo do FGC, até o limite por CPF ou CNPJ e por instituição.
Não têm cobertura do FGC debêntures, CRIs e CRAs, fundos de investimento, e títulos que estejam fora do sistema de proteção. É importante checar a natureza do ativo antes de contar com a garantia.
Risco de fraudes e a advertência do presidente do FGC
O presidente do fundo, Daniel Lima, alertou para a possibilidade de atuação de criminosos no processo de pagamento de garantias, afirmando, “Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos”, o que reforça a necessidade de checagens e canais oficiais.
O FGC informou que estão sendo empregados procedimentos para identificar solicitações legítimas e barrar tentativas de golpe, e que investidores devem acompanhar comunicações oficiais do Fundo e do Banco Central.
Contexto da liquidação do Banco Master
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, foi liquidado em 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição vinha enfrentando dificuldades, com alto custo de captação e forte exposição a investimentos considerados arriscados.
Tentativas de venda, como proposta do BRB, não avançaram diante de questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, e menções do banco em investigações. O mercado também passou a observar um alerta quando o Master passou a oferecer CDBs com rentabilidades muito acima do padrão.
Com 600 mil pedidos recebidos pelo FGC, a prioridade agora é processar as solicitações válidas, pagar os valores até o teto estabelecido, e encaminhar os créditos excedentes na fila de liquidação, enquanto se mantém atenção contra fraudes e irregularidades.