Fictor Alimentos pede inclusão na recuperação judicial da controladora para proteger operações, renegociar dívidas e enfrentar restrições de crédito e bloqueios
Empresa listada na B3 amplia pedido para incluir a unidade operacional, com objetivo de preservar atividades, facilitar negociações com credores e dar previsibilidade a fornecedores
A Fictor Alimentos solicitou sua inclusão no processo de recuperação judicial da holding que controla o Grupo Fictor, em requerimento protocolado na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo.
O pedido amplia o alcance do pedido apresentado pelo grupo no início de fevereiro e foi motivado, segundo a companhia, pelos efeitos negativos no ambiente de negócios após a divulgação da recuperação da controladora.
Entre os problemas relatados estão dificuldade de acesso a crédito, revisão de limites por bancos e prejuízos nas relações comerciais, impactos que afetaram a capacidade financeira e operacional da empresa, conforme informação divulgada pelo g1
Por que a inclusão foi pedida
A companhia afirma que a entrada no processo busca preservar suas atividades e criar um cenário mais organizado para a renegociação de dívidas. A Fictor Alimentos S.A é uma empresa do setor alimentício listada na B3, que opera sob o código de negociação FICT3.
O grupo, que chegou a negociar a compra do Banco Master antes da liquidação determinada pelo Banco Central do Brasil, enfrenta agora maior retenção por parte de bancos e fornecedores, o que motivou a ampliação da recuperação.
Impactos financeiros e medidas judiciais
Segundo o comunicado, a recuperação tem o objetivo de equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros, que somam mais de R$ 4,2 bilhões.
No início do mês, a Justiça de São Paulo determinou a suspensão, por 30 dias, de processos de execução e de novos bloqueios de bens contra a Fictor Holding e a Fictor Invest, antecipando, na prática, um stay period parcial.
Situação dos bens bloqueados e risco de paralisação
O juiz ressaltou que a suspensão vale apenas para atos futuros, portanto, bens e valores já bloqueados continuam retidos e só poderão ser liberados após a conclusão de uma perícia que apure a situação das empresas e eventuais indícios de fraude.
A empresa alegou risco de paralisação de atividades devido a ordens judiciais em curso, e apresentou os documentos exigidos pela Lei de Recuperação Judicial para justificar a inclusão no processo.
O que a empresa espera e próximos passos
A inclusão da Fictor Alimentos na recuperação tende a facilitar negociações conjuntas com credores e a aumentar a transparência e previsibilidade para investidores, fornecedores e demais envolvidos, segundo a companhia.
Os próximos passos envolvem a análise judicial do pedido, a perícia sobre as empresas e a negociação de um plano de recuperação, etapa que definirá prazos e formas de pagamento das obrigações do grupo.