Fictor Alimentos recuperação judicial: empresa pede inclusão na recuperação da controladora após crise de crédito e repercussão do caso Banco Master

Pedido amplia o processo aberto pela holding, cita dificuldades de acesso a crédito, revisão de limites bancários e busca renegociação de mais de R$ 4,2 bilhões

A Fictor Alimentos solicitou à Justiça a inclusão da companhia no processo de recuperação judicial da holding que controla o Grupo Fictor, em movimento para organizar a renegociação de dívidas e preservar operações.

A petição foi protocolada na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, e amplia o alcance do pedido apresentado pelo grupo no início de fevereiro.

O grupo diz que a decisão foi tomada após impactos negativos no ambiente de negócios, como dificuldade de acesso a crédito e revisão de limites por bancos, que afetaram sua capacidade financeira e operacional, conforme informação divulgada pelo g1

Por que a inclusão foi solicitada

A Fictor Alimentos afirma que a inclusão no processo de recuperação judicial da controladora busca preservar suas atividades e criar um cenário organizado para renegociar dívidas.

Segundo a empresa, a medida deve facilitar negociações conjuntas com credores e aumentar a transparência e a previsibilidade para investidores, fornecedores e demais envolvidos.

No pedido, a companhia destaca a necessidade de mitigar efeitos comerciais e creditícios decorrentes da divulgação da recuperação da controladora, que, segundo a Fictor, prejudicou o acesso ao mercado.

Efeitos financeiros e medidas judiciais

O grupo informou que a recuperação tem como objetivo, em suas palavras, “equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros”, que somam mais de R$ 4,2 bilhões, conforme documentos apresentados à Justiça.

No início do mês, a Justiça de São Paulo determinou a suspensão, por 30 dias, de processos de execução e de novos bloqueios de bens contra a Fictor Holding e a Fictor Invest.

Em regra, esse período é de 180 dias, mas o juiz pode reduzir o prazo ou aplicar a medida antes da aceitação formal do pedido, como foi feito no caso do grupo, segundo a companhia.

Apesar da suspensão temporária de novas cobranças, atos praticados antes da decisão, incluindo bens e valores já bloqueados, permanecem retidos e só poderão ser liberados após perícia que avalie eventuais indícios de fraude.

Do episódio Banco Master à crise de liquidez

A Fictor relaciona a crise de liquidez ao episódio envolvendo o Banco Master, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 18 de novembro.

Um consórcio ligado a sócios do Grupo Fictor havia anunciado proposta para adquirir o banco, mas a operação foi suspensa após a decisão do BC, e a empresa afirma que isso afetou diretamente sua imagem no mercado.

Em nota, a companhia diz que “Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”.

Reestruturação interna e próximos passos

O grupo afirma que, desde o início das operações, “não haviam sido registrados atrasos de nenhuma natureza” e que já havia adotado um plano de reestruturação, com redução de estrutura física e do número de funcionários.

Segundo a empresa, “Esse movimento foi feito antes do pedido de recuperação judicial para proteger os direitos dos colaboradores e agilizar o recebimento das indenizações trabalhistas”.

A inclusão da Fictor Alimentos na recuperação judicial da controladora amplia o escopo do processo e pode influenciar negociações com credores e o ritmo de análises judiciais, enquanto fornecedores, bancos e investidores acompanham desdobramentos.