Filha do Maior Abusador da Igreja da Inglaterra Revela Horrores: “Pai Abusou de 130 Crianças e a Verdade Foi Horrível”
Filha do maior abusador da Igreja da Inglaterra detalha o horror e a busca por cura após a descoberta dos crimes do pai.
O relato de Fiona Rugg, filha de John Smyth QC, considerado o maior abusador da Igreja da Inglaterra, expõe um passado sombrio de abusos físicos e sexuais contra cerca de 130 meninos e jovens. Smyth, que morreu antes de ser julgado, aplicava os abusos sob o pretexto de “disciplina espiritual”.
Apesar de saber racionalmente que não tem culpa, Fiona Rugg lida com um sentimento profundo de “vergonha por associação” e a dor de um pai que nunca demonstrou arrependimento. A história de Smyth envolveu acobertamento e engano, conforme aponta o Relatório Makin de 2024, que criticou a conduta da Igreja da Inglaterra no caso.
Fiona Rugg decidiu falar abertamente pela primeira vez à BBC, buscando a cura através da compreensão dos “chocantes” abusos cometidos por seu pai. Ela expressa o perdão, mas ressalta que isso não apaga a dor nem torna os atos aceitáveis. A filha pede desculpas em nome do pai aos meninos que foram vítimas de seus crimes.
Uma Infância Marcada pelo Medo e a Hipocrisia Paterna
Rugg descreve uma infância opressiva, vivida sob a “hipervigilância” dos humores imprevisíveis do pai. O medo era o sentimento predominante, e a instabilidade emocional de Smyth criava um ambiente de “andar pisando em ovos”. A filha sentia culpa por não gostar do pai, chegando a odiá-lo em alguns momentos.
O pai a “ignorava completamente” quando criança, levando-a a duvidar de seu próprio julgamento sobre o caráter “instável” dele. Ela observava o pai ser adorado por outros, enquanto em casa ele era “assustador, bravo e cruel”. Smyth apresentava uma fachada ao mundo, enquanto a família vivia uma realidade diferente.
O acesso de Smyth ao Winchester College em 1973 permitiu que ele convidasse alunos para almoços em sua casa, onde ocorriam os abusos. As vítimas eram obrigadas a se despir e a suportar espancamentos violentos com uma vara em um galpão isolado, resultando em ferimentos graves.
A Fuga da Justiça e o Rastro de Destruição Internacional
Uma investigação interna do Iwerne Trust em 1982 revelou os ataques “prolíficos, brutais e horríveis”, detalhando que oito meninos sofreram um total de 14 mil chicotadas. Em vez de acionar as autoridades, líderes da Igreja da Inglaterra facilitaram a saída de Smyth do Reino Unido, permitindo que ele escapasse da Justiça.
Ao se mudarem para o Zimbábue em 1984, Smyth apresentou a mudança como um “trabalho nobre”, mas o rastro de destruição o acompanhou. Ele organizou acampamentos cristãos onde impunha nudez e espancamentos a meninos. Em 1985, um adolescente de 16 anos, Guide Nyachuru, morreu em um de seus acampamentos, e o caso de homicídio culposo foi arquivado.
A Descoberta da Verdade e o Caminho para a Cura
Ao retornar à Inglaterra aos 18 anos, Rugg começou a questionar os rumores sobre o pai. Comentários como “você é filha do seu pai” geravam um silêncio perturbador nas pessoas. Ao confrontá-lo na véspera de Natal, a reação de fúria de Smyth confirmou suas suspeitas: “nunca há tanta fumaça sem fogo”.
Em 2017, as denúncias vieram à tona após investigação do Channel 4. Ver o rosto do pai associado a crimes horríveis foi “horrível e chocante”, mas ao mesmo tempo “tudo passou a fazer sentido”. A hipocrisia de justificar os abusos com a fé cristã era “repugnante”.
Em agosto de 2018, Smyth foi intimado pela polícia, mas morreu de insuficiência cardíaca oito dias depois, aos 77 anos, sem nunca ter sido responsabilizado judicialmente. Fiona Rugg hoje fala sobre o pai “sem amargura nem ódio” e encontra paz, entendendo que encarar a verdade é o caminho para a cura e o perdão.
“Deixou de ser algo que me foi imposto, para ‘eu escolho o que fazer com isso'”, conclui Rugg, demonstrando sua força ao superar o trauma e a dor associados aos atos de seu pai.