Flashover pode explicar como incêndio em bar de Crans-Montana, Suíça, se espalhou em segundos, deixando ao menos 40 mortos e 115 feridos, entenda
Richard Hagger, presidente da Associação Britânica de Investigadores de Incêndios, afirma que um flashover pode transformar um ambiente fechado em chamas completas em questão de segundos
Um incêndio que atingiu o bar Le Constellation, em Crans-Montana, nos Alpes suíços, deixou ao menos 40 mortos e 115 feridos, e pode ter sido potenciado por um fenômeno chamado flashover.
O relato de especialistas e testemunhas descreve uma propagação muito rápida das chamas, com pessoas tentando fugir em pânico e cenários de desastre, enquanto equipes forenses trabalham no local.
Autoridades suíças mantêm a investigação em curso e não confirmaram oficialmente as causas, enquanto familiares aguardam pelo reconhecimento das vítimas.
conforme informação divulgada pelo g1
O que é o flashover e por que especialistas apontam essa hipótese
Segundo Richard Hagger, presidente da Associação Britânica de Investigadores de Incêndios, “Um flashover é basicamente o rápido desenvolvimento de um incêndio dentro de um ambiente“. Ele explica que o processo começa com um foco de fogo, as chamas e a radiação térmica sobem até o teto e se espalham rapidamente.
Hagger acrescenta, “Essa radiação térmica então se propaga para baixo, atingindo outros materiais combustíveis, como móveis e mesas, elevando a temperatura a ponto de esses materiais se decomporem termicamente e produzirem gás inflamável“.
Na avaliação do especialista, “E então esse gás se inflama, mas a uma velocidade bem rápida“, e o local, “na prática, fica completamente tomado pelas chamas em questão de segundos“. Essas explicações ajudam a entender relatos de testemunhas sobre a rapidez com que o fogo consumiu o interior do bar.
Relatos de testemunhas e possíveis causas
Testemunhas disseram a veículos de imprensa que uma garçonete teria colocado velas de aniversário sobre garrafas de champanhe, e que uma delas teria sido erguida muito próxima ao teto, que teria então pegado fogo.
Dois clientes relataram essa hipótese ao canal francês BFMTV, mas as autoridades suíças ainda não confirmaram a causa do incêndio. Em coletiva, a procuradora-geral do cantão de Valais, Beatrice Pilloud, afirmou que não pode confirmar nada enquanto a investigação estiver em andamento, e destacou, “O trabalho vai levar tempo”.
Vídeos e imagens do local mostram chamas intensas e intensa fumaça, e várias testemunhas descreveram cenas de desespero e confusão enquanto buscavam escapar.
Vítimas, atendimento e identificação
Autoridades informaram que o incêndio ocorreu por volta de 1h30 no horário local, o que corresponde a 21h30 do horário de Brasília. Equipes médicas e forenses trabalham no reconhecimento das vítimas, e as autoridades já avisaram que esse processo “vai levar tempo”.
Robert Larribau, chefe do Centro de Comunicação Médica de Emergência dos Hospitais Universitários de Genebra, disse que parte das vítimas é muito jovem, com idades entre 15 e 25 anos, e que algumas sofreram queimaduras internas após inalar fumaça.
Relatos de pessoas no local ilustram a gravidade, como o depoimento de Daniella, de Milão, que disse, “As pessoas corriam em todas as direções, gritando e chorando”. Um jovem de 18 anos contou que entrou no bar durante o incêndio, e descreveu, “Vi pessoas queimando… Encontrei pessoas queimando da cabeça aos pés, sem roupa nenhuma”.
Resposta local e implicações para segurança
Equipes policiais isolaram totalmente a área e montaram tendas forenses no local. Enquanto isso, moradores e visitantes deixaram flores e velas fora do cordão policial, em homenagem às vítimas.
Autoridades de outros países acompanham a situação, porque entre os mortos e feridos podem haver estrangeiros. O Ministério das Relações Exteriores da Itália informou que 16 cidadãos italianos estão desaparecidos, e a França informou que oito cidadãos podem estar entre os desaparecidos.
O presidente suíço, Guy Parmelin, classificou o incêndio como “uma das piores tragédias que o país já viveu”. O caso levanta questões sobre segurança em eventos, uso de velas em ambientes fechados e necessidade de normas rigorosas em locais de grande circulação.
O que se espera da investigação e consequências
As autoridades cantonais afirmaram que a investigação será minuciosa e demorada, e que não há confirmação pública sobre a origem do fogo até a conclusão das perícias.
Especialistas em incêndios destacam a importância de analisar o padrão de combustão, a possível presença de materiais inflamáveis, o comportamento das chamas e o desenho do espaço, para entender se um flashover ocorreu de fato e quais fatores contribuíram para a rápida propagação.
Enquanto isso, famílias e comunidades seguem em luto, e a investigação técnica deverá ser decisiva para apontar responsabilidades e orientar medidas de prevenção futuras.