Flashover pode explicar por que incêndio em bar de Crans-Montana se espalhou em segundos, causando ao menos 40 mortos e 115 feridos, dizem especialistas

Especialistas descrevem como o fenômeno de flashover transforma fumaça e calor em gás inflamável em segundos, relatos apontam vela como possível gatilho e investigação no cantão de Valais segue

Três cenas se repetem nas narrativas sobre a tragédia em Crans-Montana, na Suíça, no dia 1º de janeiro, quando um incêndio em um bar deixou muitas vítimas, pânico e uma investigação em curso.

Peritos explicam que um fenômeno conhecido como flashover pode transformar um foco pequeno em fogo generalizado em questão de segundos, o que ajuda a entender relatos de pessoas que não viram tempo para escapar.

Relatos de testemunhas mencionam que velas sobre garrafas podem ter iniciado as chamas, enquanto autoridades dizem que o trabalho pericial ainda levará tempo para confirmar causas e responsabilidades, conforme informação divulgada pelo g1

O que é o flashover e por que acelera um incêndio

Segundo o presidente da Associação Britânica de Investigadores de Incêndios, Richard Hagger, “um flashover é basicamente o rápido desenvolvimento de um incêndio dentro de um ambiente. Começa com um foco de incêndio, as chamas e a radiação térmica sobem até o teto e se espalham rapidamente”, frase citada na entrevista ao programa The World Tonight.

Hagger explicou ainda que “essa radiação térmica então se propaga para baixo, atingindo outros materiais combustíveis, como móveis e mesas, elevando a temperatura a ponto de esses materiais se decomporem termicamente e produzirem gás inflamável. E então esse gás se inflama, mas a uma velocidade bem rápida”.

O especialista resumiu o risco em termos práticos, afirmando, “o lugar, na prática, fica completamente tomado pelas chamas em questão de segundos”, o que coincide com os relatos de testemunhas sobre a rapidez da propagação do fogo no bar.

Relatos, suspeitas e o andamento da investigação

Autoridades suíças ainda não confirmaram oficialmente a causa do incêndio, e a procuradora-geral do cantão de Valais, Beatrice Pilloud, disse que não pode confirmar nada enquanto a investigação estiver em andamento.

Testemunhas ouvidas por veículos de imprensa relataram que uma garçonete teria colocado velas de aniversário em garrafas de champanhe, e que uma delas teria ficado muito próxima ao teto, que teria começado a pegar fogo.

Essas versões são apontadas como hipótese, mas as autoridades repetem que o trabalho pericial “vai levar tempo”, frase que aparece nas declarações oficiais citadas pela imprensa.

Vítimas, resgate e impacto comunitário

O incêndio, registrado por volta de 1h30 do horário local, deixou ao menos 40 mortos e 115 feridos, segundo os dados divulgados inicialmente, e parte das vítimas é muito jovem, com idades entre 15 e 25 anos, conforme comunicações de hospitais locais.

Equipes médicas relataram casos de queimaduras internas devido à inalação de fumaça, e trabalhos de reconhecimento e atendimento às famílias foram definidos como demorados e delicados pelas autoridades regionais.

Ao redor do local, moradores e visitantes deixaram flores e velas em homenagem, e relatos de sobreviventes descrevem cenas de pânico, pessoas tentando escapar, e outros estabelecimentos que abriram portas para abrigar feridos e desabrigados.

Repercussão internacional e próximos passos

Entre os feridos e desaparecidos podem haver turistas de várias nacionalidades, e os governos de países vizinhos já informaram sobre cidadãos afetados, enquanto equipes forenses trabalham no local para identificar vítimas.

O processo investigativo promete ser longo, com perícias sobre vestígios de fogo, análise estrutural e depoimentos de testemunhas, e especialistas em incêndio, como Hagger, continuam a explicar como o flashover pode transformar um foco aparentemente pequeno em uma tragédia em segundos.

Enquanto as apurações seguem, familiares e a comunidade local enfrentam a dor da perda e a espera por respostas e confirmações oficiais.