Flexibilização do controle estatal sobre petróleo da Venezuela, privatização parcial da PDVSA pode atrair investimentos com teto de royalties a 30% e tribunais internacionais

Flexibilização do controle estatal sobre petróleo da Venezuela busca atrair capital estrangeiro, dar controle a empresas privadas sobre produção e venda, e permitir resolução de disputas fora da Justiça local

A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou uma reformulação da lei do setor de energia que abre espaço para a flexibilização do controle estatal sobre petróleo, permitindo maior participação privada nas operações do país.

O projeto muda regras sobre impostos e royalties, prevê garantia de instâncias externas para resolver litígios e agora aguarda a assinatura da presidente interina Delcy Rodríguez para entrar em vigor.

As mudanças foram aprovadas menos de um mês depois da prisão do então presidente Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas, conforme informação divulgada pelo g1.

O que muda na lei

A proposta revisada promete dar às empresas privadas controle sobre a produção e a venda de petróleo, incluindo a possibilidade de contratos em que a participação estatal não seja necessariamente majoritária, o que representa uma ruptura com a regra que vigora há duas décadas.

Entre as alterações previstas está a mudança na cobrança sobre extração, com a fixação de um teto de royalties de 30%, e a autorização para que o governo possa definir percentuais específicos por projeto, conforme necessidades de investimento e competitividade.

Garantias para investidores e resolução de disputas

A lei elimina a exigência de que disputas sejam tratadas apenas pela Justiça venezuelana e abre a possibilidade de recorrer a tribunais internacionais ou instâncias externas, uma das principais reivindicações de empresas estrangeiras que temem expropriações futuras.

O governo de Delcy Rodríguez aposta que essa flexibilização do controle estatal sobre petróleo funcione como garantia para atrair investidores, depois de anos de evasão de capitais pelo risco político e pela falta de mecanismos independentes de arbitragem.

Reações políticas

No debate na Assembleia, o deputado governista Orlando Camacho, chefe do comitê de petróleo, afirmou que a reforma, nas suas palavras, “vai mudar a economia do país”.

Do lado da oposição, o deputado Antonio Ecarri pediu inclusão de mecanismos de transparência e prestação de contas, e disse, citando exatamente, “Que a luz incida sobre a indústria do petróleo”.

Histórico do setor e riscos

A última grande mudança na legislação data de 2006, quando o então presidente Hugo Chávez reforçou o papel da estatal PDVSA, exigindo sua posição de sócia principal em grandes projetos e promovendo expropriações de ativos de empresas estrangeiras.

Desde então, a produção e a gestão da PDVSA declinaram, com queda da produção, problemas administrativos e impacto de sanções externas, apesar de a Venezuela deter as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.

A flexibilização do controle estatal sobre petróleo busca reverter parte desse cenário, mas analistas apontam que a atração de investimentos dependerá da segurança jurídica real, da transparência nas regras e da estabilidade política.

Próximos passos

Com a aprovação na Assembleia, o projeto segue para sanção da presidente interina Delcy Rodríguez, que promoveu a proposta dias depois de declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre assumir controle das exportações venezuelanas e incentivar investimentos para recuperar a indústria.

Se sancionada, a lei deverá reabrir negociações com empresas estrangeiras, testar a eficácia das garantias prometidas e medir a confiança de investidores diante de um cenário político ainda volátil e de desafios operacionais profundos.