França ameaça adotar medidas unilaterais se acordo UE-Mercosul colocar setor agro em risco, ministra Genevard cita suspensão de importações e pressão ao Parlamento
Ministra da Agricultura francesa afirma que tomará ações para proteger produtores, após UE aprovar acordo UE-Mercosul por maioria qualificada, e alerta nova etapa política
A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que o governo não hesitará em agir de forma unilateral para proteger o setor agrícola e pecuário se considerar que há risco decorrente do acordo UE-Mercosul.
Os anúncios ocorrem após uma decisão tomada pelos países da União Europeia nesta sexta-feira, quando o tratado recebeu sinal verde por maioria qualificada, apesar de resistências de nações como França, Polônia, Irlanda e Hungria.
A declaração de Genevard foi feita em coletiva de imprensa em resposta a protestos de produtores rurais e questionamentos sobre a gestão de doenças animais, conforme informação divulgada pelo g1.
O que disse a ministra
Em defesa das concessões negociadas por Bruxelas, a ministra afirmou, em suas palavras, “A França fez-se ouvir”, e advertiu, “Não hesitaremos em adotar unilateralmente uma série de medidas assim que considerarmos que nossos setores estão em perigo“. A fala foi dirigida a agricultores que protestaram contra o acordo e contra a gestão da dermatose nodular bovina.
Genevard citou como exemplo a suspensão recente, por um ano, da importação para a França de alguns produtos agrícolas tratados com substâncias proibidas na União Europeia, especialmente de origem sul-americana.
Reações dos produtores e temores
Produtores rurais franceses protestaram em frente à Assembleia Nacional, acusando que a entrada massiva de produtos sul-americanos vai prejudicar o mercado local. Entre os itens citados pelos agricultores estão carne, arroz, mel e soja.
O setor agropecuário europeu teme que o acordo amplie a oferta de produtos sul-americanos, em troca de maior acesso ao Mercosul para veículos, máquinas, queijos e vinhos europeus.
Contexto político e próximos passos
Os países da UE aprovaram a medida por maioria qualificada, o que permitirá que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o tratado no Paraguai em 17 de janeiro, conforme data anunciada pelo chanceler argentino.
No entanto, a ratificação não está concluída, porque o Parlamento Europeu ainda precisa dar seu aval. A situação é incerta, já que cerca de 150 eurodeputados (de um total de 720) ameaçam recorrer à Justiça para impedir a aplicação do acordo.
A Comissão Europeia negocia o amplo tratado com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai desde 1999, visando criar a maior zona de livre comércio do planeta, com mais de 700 milhões de consumidores, o que intensifica a complexidade política e econômica em torno do acordo UE-Mercosul.
Impactos e possíveis medidas
Além da suspensão temporária de algumas importações, a França pode adotar outras medidas unilaterais caso avalie que produtores locais estão em risco, aumento a possibilidade de tensões comerciais com países sul-americanos.
O desenlace dependerá agora das decisões do Parlamento Europeu e da reação dos governos envolvidos, enquanto produtores seguem mobilizados em vários países, mantendo o tema em destaque na agenda europeia e internacional.