França ameaça tomar medidas unilaterais se acordo UE-Mercosul colocar setor agro em risco, ministra anuncia suspensão de importações e agricultores fazem protestos
Annie Genevard ameaça ações unilaterais para proteger produtores após aprovação por maioria qualificada do acordo UE-Mercosul, assinatura prevista em 17 de janeiro
A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que adotará medidas unilaterais caso o setor agropecuário francês seja colocado em risco pelo acordo UE-Mercosul.
A declaração foi dada em coletiva, em meio a protestos de produtores rurais que criticam tanto o tratado quanto a gestão da dermatose nodular bovina.
Genevard citou ações concretas já tomadas, como a suspensão temporária de importações, e prometeu novas intervenções se necessário.
conforme informação divulgada pelo g1
O que disse a ministra
Questionada sobre se a adoção do tratado representa um revés para a França no âmbito europeu, Genevard afirmou que “A França fez-se ouvir” e que o governo defende as concessões obtidas por Bruxelas desde a conclusão do acordo em Montevidéu, em dezembro de 2024.
Ao responder aos agricultores, a ministra alertou: “Não hesitaremos em adotar unilateralmente uma série de medidas assim que considerarmos que nossos setores estão em perigo“, citando a suspensão, por um ano, da importação para a França de alguns produtos agrícolas tratados com substâncias proibidas na União Europeia, principalmente de origem sul-americana.
Como foi a aprovação na União Europeia
Os países da União Europeia deram sinal verde ao acordo com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai por maioria qualificada, durante reunião de embaixadores em Bruxelas, apesar da oposição de França, Polônia, Irlanda e Hungria.
Com a aprovação por maioria qualificada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pode assinar o tratado no Paraguai, em data anunciada para 17 de janeiro.
No entanto, o texto ainda precisa do aval do Parlamento Europeu, e o desfecho é incerto, pois “cerca de 150 eurodeputados (de um total de 720) ameaçam recorrer à Justiça” para tentar impedir a aplicação do acordo.
Riscos e medidas práticas
Os produtores europeus temem a entrada maciça de carne, arroz, mel e soja sul-americanos, enquanto a União Europeia espera ampliar exportações de veículos, máquinas, queijos e vinhos ao Mercosul.
A Comissão Europeia negocia o tratado desde 1999, que prevê “a criação da maior zona de livre comércio do planeta, com mais de 700 milhões de consumidores“, e defensores destacam ganhos para a indústria, enquanto críticos alertam para riscos ao setor agrícola.
Em resposta às queixas, a França já aplica medidas de controle de produtos considerados tratados com substâncias proibidas na UE, e a ministra deixou claro que outras ações podem ser determinadas de forma unilateral, conforme avaliação de risco ao setor.
Próximos passos e incertezas
Com a sinalização de assinatura marcada, o foco passa a ser o Parlamento Europeu e possíveis recursos judiciais que podem atrasar ou alterar a aplicação do acordo UE-Mercosul.
No plano interno francês, a pressão dos agricultores e a promessa de medidas unilaterais mantêm o tema em destaque, com impacto político e diplomático nas próximas semanas.
O desfecho dependerá da capacidade dos governos de conciliar proteções ao setor agropecuário com os compromissos comerciais já negociados entre a UE e os países do Mercosul.