França suspende importações de frutas e hortaliças com agrotóxicos proibidos na UE por um ano, medida mira principalmente América do Sul e pressiona acordo UE-Mercosul

Medida temporária exige controles das empresas, cita mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil, e aguarda aval da Comissão Europeia em dez dias

A França anunciou a suspensão temporária das importações de produtos agrícolas tratados com cinco agrotóxicos proibidos na União Europeia, em medida que vale por um ano e pode afetar principalmente países da América do Sul.

A decisão ocorre em meio a fortes protestos de agricultores franceses contra o acordo comercial entre a UE e o Mercosul, e inclui exigências de controle por parte das empresas para certificar que importações não contenham as substâncias vetadas.

A suspensão, válida por um ano, ainda precisa ser aprovada pela Comissão Europeia, que tem dez dias para analisar o caso, conforme informação divulgada pelo g1.

O que muda nas importações e quais substâncias são atingidas

Com a medida, abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas, batatas e outros produtos agrícolas não poderão entrar na França se contiverem os cinco princípios ativos citados, mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil.

As empresas do setor alimentício deverão instalar controles para garantir a ausência dessas substâncias em lotes importados, e as barreiras valem para qualquer país que utilize os agrotóxicos, embora o governo francês destaque que a suspensão atinge “principalmente a América do Sul”.

Contexto político e pressão dos agricultores

A medida foi tomada em resposta à pressão de produtores franceses, que bloquearam estradas com tratores e protestaram contra a assinatura do acordo UE-Mercosul, por temerem concorrência de produtos considerados mais competitivos.

O governo de Emmanuel Macron enfrenta tensão interna sobre o tratado e busca equilibrar a abertura comercial com medidas para acalmar o setor agrícola, enquanto a Comissão Europeia avalia se manterá ou estenderá a suspensão ao restante da UE.

Impactos para países sul-americanos e para o comércio

Embora a suspensão não mencione países por nome, o perfil dos produtos afetados torna provável o impacto sobre exportadores do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, que utilizam alguns desses agrotóxicos em cultivos destinados ao mercado externo.

Representantes do setor brasileiro foram consultados, mas não havia resposta oficial até a última atualização da reportagem que serviu de base para esta matéria, conforme informação divulgada pelo g1.

Próximos passos, prazos e possíveis desdobramentos

A suspensão deve entrar em vigor em data próxima à sua publicação e valer por um ano, e a Comissão Europeia terá dez dias para decidir se não se opõe, se estende a outras Estados-membros ou se barra a medida.

Além da análise europeia, a questão pode provocar negociações sobre compensações e medidas de apoio, como propostas financeiras já discutidas pela Comissão para acalmar produtores, enquanto o acordo UE-Mercosul segue sob forte debate político e social.