França suspende importações de frutas e vegetais tratados com agrotóxicos proibidos na UE por um ano, medida mira Mercosul e aguarda aval da Comissão Europeia

Medida temporária proíbe entrada de produtos com mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil, e responde a protestos de agricultores

A França decidiu suspender temporariamente a importação de produtos agrícolas que tenham sido tratados com cinco agrotóxicos proibidos na União Europeia, em uma medida que vale por um ano e precisa do aval de Bruxelas.

A suspensão atinge principalmente países da América do Sul, mas o governo francês enfatiza que não é dirigida a uma região específica, e sim a quaisquer produtos que contenham as substâncias vetadas.

Autoridades afirmam que a ação responde à pressão de agricultores e pecuaristas, que realizaram protestos e bloqueios nas estradas para contestar o acordo entre UE e Mercosul, conforme informação divulgada pelo g1.

O que foi suspenso e por quanto tempo

A medida proíbe a entrada em território francês de itens, especialmente frutas e vegetais, tratados com os fungicidas e herbicidas mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil. A lista inclui produtos como abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e até batatas, entre outros.

A suspensão entrou em vigor com previsão de vigorar por um ano, e, tecnicamente, precisa ser analisada pela Comissão Europeia, que tem dez dias para se posicionar sobre o caso.

Quem será afetado e por quê

Segundo o governo francês, o perfil dos produtos indica que a medida atinge principalmente a América do Sul, embora não seja um decreto dirigido contra um único bloco. Países que utilizam as substâncias listadas estão na mira, caso exportem alimentos com resíduos desses produtos.

O fechamento temporário de canais de importação visa aliviar a pressão de agricultores europeus, que temem concorrência desleal de produtos sul-americanos considerados mais competitivos por normas de produção diferentes.

Contexto político, protestos e reação interna

As decisões ocorrem no contexto de fortes protestos do setor agrícola francês, com bloqueios de estradas e atos de insatisfação contra o acordo UE-Mercosul. O governo de Emmanuel Macron vinha buscando medidas para tranquilizar produtores antes de uma possível assinatura do tratado.

Há ainda risco político, já que opositores alertam para consequências internas caso o Executivo apoie o acordo sem garantias aos agricultores. Para tentar acalmar o setor, a presidente da Comissão Europeia propôs um adicional de financiamento de cerca de 45 bilhões de euros na futura Política Agrícola Comum, PAC 2028-2034.

O papel da Comissão Europeia e os próximos passos

Bruxelas tem um prazo de dez dias para analisar a suspensão, e a decisão pode assumir três caminhos, conforme explicação oficial citada nas informações: “Ao final desse período, a Comissão Europeia poderá optar por não se opor a ela e, portanto, mantê-la em vigor, ou estendê-la ao resto da UE (…) ou opor-se a ela”.

Enquanto a Comissão analisa, a França exige que empresas do setor alimentício implementem controles para garantir que produtos importados não contenham as substâncias proibidas. A medida pode, portanto, ser aplicada de forma imediata, mesmo antes de um veredito final de Bruxelas.

O episódio reforça a tensão entre políticas comerciais e preocupações sanitárias e ambientais, e tende a influenciar negociações sobre o acordo com o Mercosul, cujo cronograma de assinatura segue em discussão entre os Estados-membros.