França suspende importações por um ano de produtos tratados com agrotóxicos proibidos na UE, incluindo mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil
Medida atende pressão de agricultores, afeta principalmente países da América do Sul, restringe abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e batatas, e aguarda aval da Comissão Europeia
A França anunciou uma suspensão temporária das importações de produtos agrícolas que tenham sido tratados com agrotóxicos proibidos na União Europeia, válida por um ano e sujeita à análise da Comissão Europeia.
A decisão visa responder aos protestos de agricultores franceses, que pressionam o governo por medidas de proteção diante da assinatura do acordo UE-Mercosul.
O governo francês exige que empresas do setor implementem controles para garantir a ausência dessas substâncias nas importações, conforme informação divulgada pelo g1.
O que a medida proíbe e quais produtos são afetados
A suspensão recai sobre produtos que contenham cinco fungicidas e herbicidas, citados pelo governo francês como proibidos na UE: mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil.
Entre os itens explicitamente mencionados como atingidos estão abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e até batatas, entre outros, segundo a informação divulgada pelo g1.
Prazo, análise da Comissão Europeia e possíveis desdobramentos
A suspensão foi anunciada em 7 de janeiro de 2026 e passaria a valer em 8 de janeiro, por um período de um ano, porém precisa do aval da Comissão Europeia.
Bruxelas tem dez dias para analisar o caso. Como explicou o Ministério da Agricultura francês, “Ao final desse período, a Comissão Europeia poderá optar por não se opor a ela e, portanto, mantê-la em vigor, ou estendê-la ao resto da UE (…) ou opor-se a ela”.
Motivações internas e impacto sobre o acordo UE-Mercosul
A decisão foi tomada em um momento de forte pressão dos agricultores franceses, que realizam protestos e bloqueios com tratores, e após debates políticos intensos sobre o acordo entre a União Europeia e o Mercosul.
O governo de Emmanuel Macron afirmou que a medida não é dirigida especificamente contra a América do Sul, “mas contra qualquer país” que utilize as substâncias vetadas, conforme informação divulgada pelo g1.
Reações e contexto internacional
Analistas e representantes do setor agrícola europeus temem concorrência de produtos sul-americanos, considerados mais competitivos por normas de produção distintas, o que alimentou as manifestações.
Fontes indicam que os agrotóxicos citados pela França são liberados no Brasil, mas as autoridades francesas e associações setoriais ainda não detalharam a extensão do impacto para exportadores específicos, conforme informação divulgada pelo g1.
Enquanto isso, a presidente da Comissão Europeia propôs financiamentos adicionais para agricultores europeus no âmbito da futura PAC 2028-2034, como tentativa de atenuar o conflito em torno do tratado comercial.