Operação aponta ‘fábrica’ de identidades, com CPFs, certidões e títulos falsos para sacar benefícios, esquema atuou entre 2012 e 2019, o prejuízo é estimado em mais de R$ 7 milhões
Três mulheres foram condenadas por participar de um esquema que fabricava documentos falsos para sacar benefícios do INSS, com penas que chegam a nove anos de prisão, e condenações ao ressarcimento dos valores pagos irregularmente.
O processo aponta que a produção de kits com certidões de nascimento, CPFs e títulos de eleitor permitia a criação de identidades inexistentes, usadas em saques e cadastros de benefícios.
As principais informações do caso foram divulgadas pela imprensa, e os dados do processo foram detalhados pela Justiça Federal, conforme informação divulgada pelo g1
Como funcionava o esquema
Segundo a sentença, assinada pela juíza Flávia Rocha Garcia em 19 de dezembro de 2025, o grupo criou uma verdadeira “fábrica” de identidades falsas, registrando pessoas, muitas vezes, como não alfabetizadas, o que permitia saques apenas com impressões digitais, sem assinatura.
O caso começou após denúncia anônima que apontou que Sandra Maria usava o nome falso “Vitória Fernandes Perez” para receber benefícios de forma irregular, e a Polícia Federal identificou uma rede coordenada por Graziela Falagan.
De acordo com os autos, Graziela coordenava a criação das identidades fictícias e a logística dos saques bancários, e Ilma ia pessoalmente às agências para sacar os benefícios usando documentos falsos com sua fotografia.
Réus e participações
As rés são Sandra Maria Pereira de Oliveira, Ilma Itamar dos Santos e Graziela Conceição Lobato Falagan, e cada uma teve sua participação avaliada de forma diferenciada pela Justiça.
Conforme a sentença, o esquema funcionou por cerca de sete anos, entre 2012 e 2019, e, conforme informação da investigação, o prejuízo é estimado em mais de R$ 7 milhões.
Penas e ressarcimento ao INSS
As condenações variaram de acordo com a atuação de cada uma, e os trechos da decisão indicam números precisos: Graziela Falagan teve pena de 9 anos, 7 meses e 16 dias, Ilma Itamar foi sentenciada a 7 anos e 13 dias, e Sandra Maria Pereira de Oliveira, 1 ano e 4 meses, já com a redução do pedido da defesa.
A Justiça Federal também determinou ressarcimento mínimo ao INSS, com valores definidos na sentença, sendo Graziela Conceição Lobato Falagan condenada a devolver R$ 3.220.789,88, Ilma Itamar dos Santos a devolver R$ 1.255.281,84, e Sandra Maria Pereira de Oliveira a pagar R$ 92.379,44.
Os valores correspondem aos danos causados e não excluem outras multas aplicadas no processo, conforme a decisão judicial.
Andamento e desdobramentos
A movimentação mais recente no processo ocorreu na segunda-feira (2), quando a defesa de uma das rés pediu a redução da pena, alegando que a acusada tem mais de 70 anos, e o pedido foi aceito pela Justiça.
As investigações da Polícia Federal continuam em andamento para identificar outros envolvidos e quantificar o total do esquema, enquanto a defesa e o INSS foram procurados, sem resposta até a publicação das reportagens iniciais.
O caso é tratado como um exemplo de fraude milionária contra o INSS, e a sentença e os valores citados foram divulgados nos autos e pela imprensa, conforme informação divulgada pelo g1.