Fraude milionária contra o INSS: três mulheres condenadas por ‘fábrica’ de documentos falsos, penas de até 9 anos e ressarcimento superior a R$ 4,5 milhões

Esquema funcionou entre 2012 e 2019, com produção de certidões, CPFs e títulos de eleitor de pessoas inexistentes, gerando prejuízo estimado em mais de R$ 7 milhões

Três mulheres foram condenadas por uma fraude milionária contra o INSS que, segundo investigações, usou uma verdadeira fábrica de identidades falsas para sacar benefícios de forma irregular.

As penas chegam a nove anos de prisão para a principal acusada, e a Justiça determinou o ressarcimento de valores milionários aos cofres do INSS.

O caso foi analisado pela 2ª Vara Federal Criminal de Vitória, e o julgamento foi concluído em 21 de janeiro, conforme informação divulgada pelo g1

Como funcionava o esquema

De acordo com a sentença, assinada pela juíza Flávia Rocha Garcia em 19 de dezembro de 2025, o grupo adotava estratégia que facilitava saques, registrando identidades como de pessoas não alfabetizadas, permitindo prova de vida e saques apenas com impressões digitais.

A apuração começou a partir de uma denúncia anônima que apontava que Sandra Maria usava o nome falso “Vitória Fernandes Perez” para receber benefícios irregularmente, e levou à identificação de uma rede liderada por Graziela Falagan.

Quem foram as condenadas e as penas

As rés são Sandra Maria Pereira de Oliveira, Ilma Itamar dos Santos e Graziela Conceição Lobato Falagan, denunciadas pelo Ministério Público Federal por estelionato previdenciário. As condenações variaram conforme a participação de cada uma.

Graziela Falagan foi responsabilizada por fraudes ligadas a 38 benefícios e recebeu pena de 9 anos, 7 meses e 16 dias. Ilma Itamar foi condenada por 13 fraudes, com pena de 7 anos e 13 dias. Sandra Maria teve pena reduzida para 1 ano e 4 meses, após pedido da defesa que alegou idade avançada.

Valores a ressarcir e estimativa de prejuízo

A Justiça Federal determinou ressarcimentos mínimos ao INSS, fixando que Graziela Conceição Lobato Falagan devolva R$ 3.220.789,88, Ilma Itamar dos Santos restitua R$ 1.255.281,84, e Sandra Maria Pereira de Oliveira pague R$ 92.379,44.

Os valores correspondem aos danos causados e não excluem outras multas aplicadas no processo. O prejuízo total do esquema é estimado em mais de R$ 7 milhões, segundo a Polícia Federal.

Investigações e próximos passos

Segundo as investigações da Polícia Federal, Ilma atuava como braço operacional, comparecendo a agências para sacar benefícios com documentos falsos e sua fotografia, e teria confessado atos praticados por cerca de sete anos, sob orientação de Graziela.

O processo ainda está em andamento, e a defesa de uma das rés conseguiu redução da pena por idade, decisão registrada em movimentação no processo em segunda-feira, 2 de fevereiro, conforme a decisão judicial. A reportagem não localizou os advogados das acusadas, e o INSS não havia retornado contato até a publicação.