quinta-feira, junho 4, 2026

Fraude milionária contra o INSS, três mulheres condenadas por ‘fábrica’ de identidades falsas, penas chegam a 9 anos e ressarcimento passa de R$ 4,5 milhões

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Decisão da 2ª Vara Federal Criminal de Vitória aponta prejuízo estimado em mais de R$ 7 milhões, esquema funcionou entre 2012 e 2019, investigação segue em curso

Três mulheres foram condenadas por integrar uma **fraude milionária contra o INSS**, que usava uma verdadeira “fábrica” de identidades falsas para sacar benefícios previdenciários.

As sentenças, proferidas pela 2ª Vara Federal Criminal de Vitória, variaram conforme a participação de cada ré, e incluem penas de prisão e obrigações de ressarcimento ao INSS.

Os detalhes do caso, a dinâmica do esquema e os valores das condenações constam na decisão judicial e nas investigações, conforme informação divulgada pelo g1

Como funcionava o esquema

Segundo a sentença assinada pela juíza Flávia Rocha Garcia em 19 de dezembro de 2025, o grupo criou uma estrutura para produção de documentos falsos, incluindo certidões de nascimento, CPFs e títulos de eleitor de pessoas inexistentes.

As identidades eram frequentemente registradas como de pessoas não alfabetizadas, o que permitia saques e provas de vida apenas com impressões digitais, sem assinatura, facilitando a retirada dos benefícios nas agências bancárias.

O caso teve início a partir de uma denúncia anônima que apontava que Sandra Maria usava o nome falso “Vitória Fernandes Perez” para receber benefícios de forma irregular, e a Polícia Federal identificou uma rede liderada por Graziela Conceição Lobato Falagan.

Participação das rés e confissões

Conforme as investigações, Graziela Falagan coordenava a criação das identidades fictícias e a logística dos saques, Ilma Itamar dos Santos atuava como braço operacional, comparecendo às agências para sacar os benefícios com documentos falsos, e Sandra Maria Pereira de Oliveira foi apontada em um caso específico.

Em depoimento, Ilma teria confessado que praticava as fraudes havia cerca de sete anos, sob orientação de Graziela, e as apurações indicam que o esquema funcionou entre 2012 e 2019.

Condenações, penas e ressarcimento

O julgamento foi concluído em 21 de janeiro, e as penas foram definidas conforme a participação de cada acusada, com Graziela responsabilizada por fraudes em 38 benefícios, Ilma por 13 e Sandra por um caso.

As penas aplicadas foram, respectivamente, de 9 anos, 7 meses e 16 dias para Graziela Conceição Lobato Falagan, 7 anos e 13 dias para Ilma Itamar dos Santos, e 1 ano e 4 meses para Sandra Maria Pereira de Oliveira, já com a redução solicitada pela defesa.

O tribunal fixou ainda o ressarcimento mínimo ao INSS, em valores que não excluem outras multas, sendo: Graziela, R$ 3.220.789,88, Ilma, R$ 1.255.281,84, e Sandra, R$ 92.379,44.

Impacto, andamento das investigações e próximos passos

A Polícia Federal estimou o prejuízo em mais de R$ 7 milhões, e as investigações continuam em andamento para apurar a extensão do esquema e possíveis outras responsabilidades.

Na movimentação mais recente do processo, a defesa de uma das rés pediu a redução de pena alegando que a acusada tem mais de 70 anos, pedido esse que foi aceito pela Justiça, segundo consta nos autos.

O g1 não conseguiu localizar os advogados das acusadas até a publicação da reportagem, e o INSS também foi procurado, sem retorno até o momento.

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