quinta-feira, junho 4, 2026

Fraude no Banco Master: investigação aponta fundos ligados ao crime organizado que inflaram R$ 11,5 bilhões em ativos e levaram à liquidação extrajudicial do grupo

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Fraude no Banco Master é apontada em relatório do BC, com fundos usados para inflar ativos, justificar aportes e manter controle sobre recursos, segundo investigação

O processo que levou à intervenção e à liquidação do conglomerado Master envolve fundos de investimento que teriam sido usados para manter ativos com valores artificialmente elevados.

Técnicos do Banco Central identificaram concentração de risco e gestão deliberadamente inadequada, apontando indícios de crime e falhas operacionais graves.

As informações constam em trechos da Notícia de Fatos enviada pelo Banco Central ao Ministério Público Federal, conforme informação divulgada pelo g1.

Como as operações teriam funcionado

Conforme o relatório citado pela apuração, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Master realizou operações estruturadas de crédito corporate que somaram R$ 11,5 bilhões, com elevada concentração em poucos clientes.

Parte dessas operações tinha como garantia fundos de investimento que, em tese, deveriam funcionar como fundos de liquidez, mas foram usados numa cadeia de transações estruturadas para inflar artificialmente ativos.

Técnicos do BC afirmam que o gerenciamento inadequado desses riscos teria sido deliberado, para evitar a reavaliação dos ativos a valores mais próximos da realidade, e que o valor inflado foi usado para justificar aportes de capital exigidos pela autoridade reguladora.

Do relatório à liquidação extrajudicial

Todo o histórico de transações e as irregularidades identificadas foram reunidos pelo Banco Central no processo que resultou na liquidação extrajudicial do conglomerado, decretada em novembro.

Na decisão, o BC justificou a medida com base no “esgotamento de todas as alternativas de solução de mercado“, na situação econômico-financeira crítica do banco e na identificação de irregularidades graves que comprometiam a solvência da instituição.

O caso também foi levado ao Tribunal de Contas da União, onde o ministro Jhonatan de Jesus chegou a determinar uma inspeção técnica em documentos do Banco Central, medida que depois foi suspensa após reações contrárias e a abertura de um processo de mediação.

Fundos, suspeitas e a posição de Vorcaro

Quatro fundos investigados por ligação com o crime organizado aparecem na suspeita, integrando a cadeia de transações destinadas a inflar ativos e permitir que recursos voltassem ao controle do dono do banco, Daniel Vorcaro.

Vorcaro afirmou ao Supremo Tribunal Federal que não teve participação em ataques ao Banco Central e pediu que também sejam investigados influenciadores digitais, segundo reportagens que divulgaram trechos da investigação.

As investigações ainda devem aprofundar a origem dos recursos e a participação dos administradores, inclusive dos apontados como responsáveis na Notícia de Fatos, e definir eventuais responsabilizações penais e cíveis.

Próximos passos e impacto para o mercado

Autoridades seguem levantando documentos e depoimentos para mapear a extensão das operações e o papel dos fundos na estrutura de transações.

Especialistas ouvidos no processo alertam para o risco sistêmico quando há concentração de risco e práticas que impedem a reavaliação de ativos, além do impacto sobre investidores e clientes do conglomerado.

O desdobramento das apurações determinará se haverá novas medidas administrativas e judiciais, e como serão protegidos os interesses de depositantes e credores.

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