Fraude no Banco Master: quatro fundos ligados ao crime organizado são investigados por inflar ativos e permitir retorno de recursos ao controle do dono, Daniel Vorcaro

No caso da fraude no Banco Master, operações de R$ 11,5 bilhões entre julho de 2023 e julho de 2024 teriam sido estruturadas para inflar ativos, ocultar riscos e justificar aportes do BC

Quatro fundos de investimento aparecem na investigação como parte de uma cadeia de transações que, segundo apuração, teria servido para inflar artificialmente ativos e permitir que recursos voltassem ao controle do dono do banco.

Técnicos do Banco Central apontam, no documento denominado Notícia de Fatos, indícios de crimes contra o sistema financeiro e falhas graves no gerenciamento de riscos, com concentração elevada em operações vinculadas a poucos clientes.

Entre julho de 2023 e julho de 2024, o Master realizou operações estruturadas de crédito corporate que somaram R$ 11,5 bilhões, com elevada concentração em poucos clientes e em desacordo com princípios básicos de seletividade, liquidez e diversificação de riscos, conforme informação divulgada pelo g1.

Como o esquema teria funcionado

De acordo com a apuração, parte das operações tinha como garantia fundos de investimento que, em tese, deveriam funcionar como fundos de liquidez, mas foram usados para sustentar valores inflados.

Técnicos afirmam que o gerenciamento inadequado dos riscos teria sido deliberado, com o objetivo de evitar a reavaliação dos ativos a valores mais próximos da realidade, e assim manter indicadores e justificar novos aportes de capital.

Valores, garantias e efeitos práticos

O relatório do BC descreve operações estruturadas de grande porte concentradas em poucos clientes, e aponta que o valor inflado foi usado para justificar aportes exigidos pelo próprio Banco Central.

Essa prática, segundo as autoridades, comprometeu a transparência contábil e contribuiu para a deterioração da solvência do conglomerado, com impacto direto na capacidade de resposta do banco a choques de liquidez.

Liquidação, TCU e reações

Todo esse histórico de transações foi utilizado pelo Banco Central no processo que resultou na liquidação extrajudicial do conglomerado Master, decretada em novembro, com base no “esgotamento de todas as alternativas de solução de mercado”, segundo o BC.

O caso também foi levado ao Tribunal de Contas da União, onde o ministro Jhonatan de Jesus chegou a determinar uma inspeção técnica em documentos do Banco Central, medida que depois foi suspensa após reações e a abertura de um processo de mediação.

Repercussões e próximos passos da investigação

O dono do banco, Daniel Vorcaro, afirmou ao STF que não teve participação em ataques ao BC e pediu investigação sobre influenciadores digitais; as autoridades centrais, por sua vez, seguem apurando indícios de crimes e falhas de gestão.

O desdobramento deve envolver o Ministério Público Federal e auditorias técnicas, com foco na responsabilização administrativa e criminal de envolvidos, e no resgate de recursos quando possível.