Fraude no Banco Master: Quatro fundos ligados ao crime são investigados, R$ 11,5 bilhões em operações estruturadas e indícios de falhas graves de gestão

Fraude no Banco Master, suposto uso de fundos para inflar ativos e justificar aportes, apontamentos de crimes contra o sistema financeiro e riscos concentrados pelo BC

Quatro fundos estão no centro de uma nova suspeita envolvendo o Banco Master, em uma cadeia de transações que teria inflado ativos para manter controle de recursos, segundo apuras do Banco Central.

Relatórios e documentos reunidos pelo BC apontam indícios de crimes e de falhas graves no gerenciamento de riscos, além de concentração excessiva de operações em poucos clientes.

Os detalhes compõem os fundamentos que levaram à liquidação do conglomerado, e a investigação envolve também o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União, conforme informação divulgada pelo g1.

O que o Banco Central identificou

Trechos da chamada “Notícia de Fatos”, enviada pelo Banco Central ao MPF e obtida pelo blog do Valdo Cruz, afirmam que há indícios de crimes contra o sistema financeiro nacional cometidos por administradores do Banco Master e da Reag, e que houve falhas graves no gerenciamento de riscos.

Segundo o BC, “entre julho de 2023 e julho de 2024, o Master realizou operações estruturadas de crédito corporate que somaram R$ 11,5 bilhões”, com elevada concentração em poucos clientes e em desacordo com princípios básicos de seletividade, liquidez e diversificação de riscos.

Como os fundos teriam sido usados

A apuração indica que parte dessas operações tinha como garantia fundos de investimento que, em tese, deveriam funcionar como fundos de liquidez, mas integraram uma cadeia de transações estruturadas cuja finalidade aparente era inflar ativos.

Técnicos do BC afirmam que o gerenciamento inadequado desses riscos teria sido deliberado, para evitar a reavaliação dos ativos a valores mais próximos da realidade, e que o valor inflado foi usado para justificar aportes de capital exigidos pelo próprio Banco Central.

Liquidação extrajudicial e repercussões

Todo esse histórico de transações foi reunido pelo Banco Central no processo que resultou na “liquidação extrajudicial do conglomerado Master, decretada em novembro”. A decisão foi justificada pelo BC com base no “esgotamento de todas as alternativas de solução de mercado”, na situação econômico-financeira crítica do banco e na identificação de irregularidades graves que comprometiam a solvência da instituição.

O caso também foi levado ao Tribunal de Contas da União, onde o ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo no tribunal, chegou a determinar uma inspeção técnica em documentos do Banco Central, medida que acabou sendo suspensa após reações contrárias e a abertura de um processo de mediação.

Próximos passos e investigação

As investigações seguem com foco em elucidar o papel dos fundos e dos administradores, e em apurar responsabilidades civis e penais. Autoridades financeiras e judiciais devem aprofundar checagens sobre garantias, concentração de risco e a origem dos recursos.

Entre os desdobramentos esperados estão novas diligências do MPF, análise técnica complementar pelo BC e possíveis medidas cautelares para proteção de credores e do sistema financeiro, enquanto a apuração continua em curso, conforme informação divulgada pelo g1.