quinta-feira, junho 4, 2026

Futuro do trabalho em alerta, Europa contrata menos em 2026, ‘Grande Hesitação’ e avanço da IA pressionam contratações, BCE, IW e IAB apontam risco

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Mercado europeu registra menor dinamismo nas contratações, com sinais claros de desaceleração e medo de perda de vagas por automação, impactando o futuro do trabalho

A Europa sai do período da chamada “Grande Demissão” e entra em uma fase que analistas definem como a “Grande Hesitação”, com trabalhadores menos dispostos a trocar de emprego por causa da incerteza econômica.

Setores industriais enfrentam pressão, os salários freiam e o avanço da inteligência artificial alimenta o medo de substituição de mão de obra, segurando a mobilidade profissional e as contratações.

Os dados compilados na cobertura e na análise da pauta mostram desaceleração concreta no ritmo de criação de empregos, com impactos distintos entre países e setores, conforme informação divulgada pelo g1.

O que mudou desde a “Grande Demissão”

Por um breve período durante e após a pandemia, trabalhadores europeus tiveram vantagem nas negociações, com maior procura por melhores condições e trabalho remoto, levando a altos níveis de rotatividade.

Segundo levantamento de 2022 da consultoria McKinsey, “um terço dos trabalhadores europeus considerava deixar o emprego no período de três a seis meses”, número que surpreendeu especialistas por se tratar de uma região com rotatividade tradicionalmente baixa.

Hoje, porém, essa dinâmica mudou, com menos vagas e um clima econômico mais difícil, e essa cautela ficou conhecida como “Grande Hesitação”, além de estratégias pessoais de proteção de carreira, como o chamado career cushioning, o preparo discreto de um plano B.

Dados que mostram a desaceleração

O Banco Central Europeu projeta que o mercado de trabalho da zona do euro, composta por 21 países, “deve crescer mais lentamente este ano, a 0,6%, em comparação com 0,7% em 2025”.

Essa diferença, por pequena que pareça, tem impacto mensurável, visto que “cada diferença de 0,1 ponto percentual representa em torno de 163 mil novos empregos a menos criados”.

Há apenas três anos, “a zona do euro criou cerca de 2,76 milhões de novos empregos, enquanto crescia a uma taxa robusta de 1,7%”, o que evidencia a perda de fôlego recente.

As pressões são mais intensas na Alemanha, onde “mais de uma em cada três empresas planeja cortar empregos este ano, de acordo com o think tank econômico IW, com sede em Colônia”. Outros países, como Polônia, Romênia e República Tcheca, também registram alta no desemprego.

Setores mais afetados e exceções

A base industrial europeia, especialmente na Alemanha, foi duramente afetada, com perdas concentradas em automotivo, máquinas, metalurgia e têxtil, por causa de altos custos de energia, fraca demanda por exportações e concorrência externa.

Apesar do cenário geral mais fraco, economias como Espanha, Luxemburgo, Irlanda, Croácia, Portugal e Grécia ainda mostram expansão do emprego, com setores como varejo, saúde, logística e engenharia mantendo demanda por profissionais especializados.

Especialistas citam que a escassez de mão de obra deixou de ser generalizada e se tornou mais setorial, mantendo oportunidades em áreas específicas, mesmo diante de manchetes negativas sobre cortes na indústria.

Inteligência artificial e o futuro do trabalho

O avanço da IA aumentou a sensação de vulnerabilidade entre trabalhadores, embora a adoção da tecnologia na Europa seja mais lenta do que nos Estados Unidos e na China, por causa de investimentos menores e regras mais rígidas.

Um estudo da EY apontou que “um quarto dos trabalhadores europeus teme que a IA possa colocar seus empregos em risco, enquanto 74% acreditam que as empresas precisarão de um quadro de funcionários menor como resultado da tecnologia”.

Pesquisas do Instituto de Pesquisa de Emprego IAB projetam que “1,6 milhão de empregos somente na Alemanha poderiam ser remodelados ou perdidos para a IA até 2040”, ao passo que a Agência Federal do Trabalho alemã prevê que cargos altamente qualificados serão desproporcionalmente afetados, embora o setor de tecnologia possa criar cerca de 110 mil novos empregos.

Especialistas divergem sobre o impacto final, alguns alertam para um possível “precariado da IA”, e outros acreditam que haverá redistribuição de tarefas, com a IA liberando trabalhadores de tarefas árduas e criando novas oportunidades profissionais.

Para trabalhadores e empregadores, o cenário exige preparação, com ênfase em requalificação, políticas públicas e adaptação empresarial, para conciliar tecnologia e trabalho humano na construção de um futuro do trabalho mais resiliente.

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