Gastos de Trump com programa de Musk somam US$10 bilhões, 154 mil servidores afastados em licença remunerada e críticas por buraco de prestação de contas

Gastos de Trump com programa de Musk somam US$10 bilhões ao afastar mais de 154 mil servidores em licença remunerada, criando dúvida sobre eficiência e controle

O programa conhecido como DOGE, liderado por Elon Musk nos primeiros meses do governo Trump, passou a ser alvo de críticas após um levantamento apontar gastos elevados e práticas administrativas controversas.

Segundo a análise, o DOGE custou 10 bilhões de dólares ao governo em 2025, ao colocar mais de 154 mil servidores federais em licença remunerada, o que corresponde a quase 7% do funcionalismo civil dos Estados Unidos.

As conclusões constam em reportagem e em dados divulgados ao público, conforme informação divulgada pelo g1.

O que mostra o levantamento

O estudo da organização Peer, sigla em inglês para Public Employees for Environmental Responsibility, revela que o DOGE afastou esses servidores mantendo o pagamento integral de salários, sem que os funcionários estivessem trabalhando.

Na prática, o governo seguiu pagando profissionais afastados enquanto órgãos essenciais, como o Serviço Nacional de Parques, enfrentavam falta de pessoal, segundo o levantamento citado.

Os números usados no estudo citam explicitamente mais de 154 mil servidores e um custo agregado de 10 bilhões de dólares, dados que geraram debate sobre a eficácia da iniciativa de suposta economia.

Questões legais e críticas

A organização afirma que o uso prolongado dessas licenças viola a Lei de Licença Administrativa, que limita o afastamento remunerado a até dez dias úteis por ano, com exceções restritas. A Peer sustenta que o governo criou novas categorias de licença para contornar esse limite legal.

Sobre a prática, Peter Jenkins, assessor jurídico da Peer, disse, para o The Guardian, “Gastar mais de US$ 10 bilhões do dinheiro do contribuinte para impedir pessoas de trabalhar é uma forma absurda de administrar o governo”.

Responsabilização e obstáculos

Especialistas apontam que a responsabilização é difícil, por causa de regras complexas, lacunas na regulamentação e mudanças administrativas, que teriam criado um “vácuo de responsabilização” ou, nas palavras de críticos, um buraco negro de prestação de contas.

A entidade apresentou denúncia ao órgão responsável por fiscalizar gastos públicos federais, e, se confirmada irregularidade, dirigentes de agências poderiam ser punidos, embora a abertura de processos dependa de autoridades ligadas ao próprio governo.

Contexto e promessas não cumpridas

O DOGE foi criado durante a segunda gestão Trump com a promessa de poupar gastos e aumentar a eficiência governamental, e Musk chegou a anunciar cortes bilionários na máquina pública.

Pesquisadores, como Madeline Materna, da Universidade Stanford, afirmam que manobras administrativas e lacunas legais ajudaram a manter o programa em funcionamento, tornando difícil levar casos aos tribunais ou órgãos de controle.

O caso mantém atenção sobre equilíbrio entre eficiência administrativa e fiscalização do uso de recursos públicos, enquanto o debate jurídico e político sobre o programa segue em curso.