quinta-feira, junho 4, 2026

Gim, a alga marinha coreana que virou febre global e atingiu preço recorde em 2026, entenda por que exportações disparam e consumidores locais sentem o aumento

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Demanda internacional pela alga gim pressiona oferta e eleva preços, exportações batem recorde, e consumidores sul-coreanos enfrentam aumento no custo de um alimento básico

Preta, crocante e em folhas quadradas, o gim é presença diária nas mesas sul-coreanas, e agora ganhou paladares ao redor do mundo.

A escalada de interesse internacional faz com que produtores e comerciantes priorizem mercados externos, com reflexo direto no preço doméstico.

Conforme informação divulgada pelo g1

O que é o gim e por que virou sensação global

O gim é uma alga marinha seca, geralmente grelhada com óleo de gergelim e sal, vendida em folhas finas. Em muitos países ocidentais seu consumo deixou de ser considerado exótico, impulsionado por K-pop e K-dramas.

Como lembra uma vendedora de Seul, “No passado, as pessoas de países ocidentais achavam que os coreanos comiam algo estranho que parecia um pedaço de papel preto”.

Além do entretenimento, produtos práticos, como rolinhos de arroz com gim, viralizaram em redes sociais e em redes de supermercados internacionais, ampliando a demanda.

Quanto subiu o preço, e qual o impacto para o consumidor

As exportações sul-coreanas de algas marinhas secas da Coreia do Sul atingiram o recorde de US$ 1,13 bilhão (cerca de R$ 5,65 bilhões), segundo o Korea Maritime Institute (KMI).

Historicamente um alimento barato, o gim custava cerca de 100 won (cerca de R$ 0,30) por folha em 2024, sendo normalmente vendido em pacotes de 10 folhas ou mais, por cerca de US$ 0,60 por pacote (aproximadamente R$ 3).

Mas, no mês passado, o preço de uma única folha ‘gim’ ultrapassou 150 won (cerca de R$ 0,55), um recorde histórico no país. “Os produtos premium custam agora até 350 won por folha [em torno de R$ 1,30]”, disse uma vendedora.

Consumidores que compram em grande volume já sentem o aperto. “Meu Deus, realmente ficou mais caro em alguns dólares! Felizmente, eu consigo aguentar mais algumas semanas com dois pacotes de ‘gim’, mas, se eu vir o mesmo preço ou um valor ainda maior depois, provavelmente não vou repor”, disse uma compradora.

Produção e respostas do setor

Regiões como Wando, no sul da Coreia do Sul, concentram fábricas que processam, grelham e cortam o gim no formato conhecido. Nos últimos anos, grande parte da produção passou a ser destinada ao exterior.

“Não há fábricas de ‘gim’ suficientes para acompanhar o aumento da demanda”, afirma um industrial do setor, que considera ampliar operações para suprir mercados externos.

Autoridades atribuem a alta a fatores como inflação, aumento do custo da mão de obra e queda da produção em outros países, mas reconhecem que a forte demanda global é o principal motor da elevação dos preços.

Medidas adotadas e cenário em mercados e feiras

Para tentar aliviar o impacto interno, o Ministério dos Oceanos e da Pesca da Coreia do Sul prometeu monitorar de perto a situação para estabilizar os preços. Empresas como a Pulmone planejam criar um centro de pesquisa e desenvolvimento de algas em terra firme, para viabilizar colheita ao longo do ano.

No comércio local, a chegada de turistas impulsiona vendas, e vendedores comemoram a popularidade. “O ‘gim’ está vendendo como água… especialmente o usado para fazer gimbap”, disse uma vendedora com quase cinco décadas no ramo, completando, “Fico feliz que o ‘gim’ coreano esteja ficando popular.”

Enquanto a procura externa segue em expansão, produtores, governo e consumidores navegam entre novas oportunidades de exportação e o desafio de manter o gim acessível para os sul-coreanos.

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