Gim coreano: como a alga marinha seca virou febre global com K-pop e K-dramas, elevou exportações e fez preço por folha bater recorde em 2026

A popularidade do gim coreano no exterior aumentou a pressão sobre oferta e preços, com consumidores locais sentindo o impacto e produtores avaliando expansão para atender à demanda

Preta, crocante e frequentemente vendida em folhas quadradas, o gim coreano deixou de ser apenas um alimento modesto nas mesas da Coreia do Sul para virar um item procurado ao redor do mundo.

Turistas e consumidores estrangeiros compram o produto em mercados de Seul, e fábricas locais exportam a maior parte da produção, em busca de mercados mais lucrativos.

conforme informação divulgada pelo g1

Por que o gim coreano virou febre global

O apetite global pelo gim coreano acompanha a maior curiosidade por produtos sul-coreanos, impulsionada por fenômenos culturais como o K-pop e os K-dramas, e por lançamentos comerciais que viralizam em outros países.

Consumidores estrangeiros relatam que conhecem o produto por séries e músicas, e visitantes descrevem o gim como uma opção leve e crocante, às vezes consumida como snack, em vez de apenas ingrediente.

Em 2023, o gimbap da rede americana Trader Joe’s esgotou rapidamente, mostrando como lançamentos em grandes redes podem acelerar a demanda internacional.

Preços, exportações e recordes

As exportações cresceram de forma constante nos últimos anos e, em 2025, as exportações sul-coreanas de algas marinhas secas da Coreia do Sul atingiram o recorde de US$ 1,13 bilhão (cerca de R$ 5,65 bilhões), segundo o Korea Maritime Institute (KMI).

Conhecido localmente como um lanche ou ingrediente acessível, o gim costumava custar cerca de 100 won (cerca de R$ 0,30) por folha em 2024, sendo normalmente vendido em pacotes de 10 folhas ou mais, por cerca de US$ 0,60 por pacote (aproximadamente R$ 3).

Mas, no mês passado, o preço de uma única folha “gim” ultrapassou 150 won (cerca de R$ 0,55), um recorde histórico no país, e, segundo vendedores, “Os produtos premium custam agora até 350 won por folha [em torno de R$ 1,30]”.

Impacto para produtores e consumidores

Para vendedores tradicionais, a cena mudou. “No passado, as pessoas de países ocidentais achavam que os coreanos comiam algo estranho que parecia um pedaço de papel preto”, disse Lee Hyang-ran, que “vende ‘gim’ há 47 anos” e hoje vê muitos turistas comprando.

Consumidores locais também sentem o aumento, e a compra em grandes quantidades pode ficar mais rara. “Meu Deus, realmente ficou mais caro em alguns dólares! Felizmente, eu consigo aguentar mais algumas semanas com dois pacotes de “gim”, mas, se eu vir o mesmo preço ou um valor ainda maior depois, provavelmente não vou repor”, disse Kim Jaela, que costuma estocar folhas para meses.

Produtores avisam que a capacidade industrial é limitada, e muitos dos fabricantes, que antes vendiam quase tudo no mercado interno, agora exportam a maior parte da produção. “Não há fábricas de ‘gim’ suficientes para acompanhar o aumento da demanda”, disse Kim Namin, que administra uma fábrica tradicional em Wando, e que já planeja ampliar operações para atender a mercados externos.

Medidas do governo e estratégias das empresas

Autoridades e empresas prometem medidas para conter a alta e estabilizar o mercado interno. “O Ministério dos Oceanos e da Pesca da Coreia do Sul prometeu monitorar de perto a situação para estabilizar os preços”.

Empresas alimentícias sul-coreanas, como a Pulmone, planejam criar um centro de pesquisa e desenvolvimento de algas em terra firme, com a intenção de permitir a colheita ao longo de todo o ano e reduzir a sazonalidade da oferta.

Enquanto isso, vendedores em mercados de Seul aproveitam o interesse estrangeiro. “O ‘gim’ está vendendo como água… especialmente o usado para fazer gimbap”, disse uma vendedora, e ela conclui, “Fico feliz que o ‘gim’ coreano esteja ficando popular.”