Gim da Coreia vira febre global, dispara preços e bate recorde, exportações chegam a US$ 1,13 bilhão enquanto folhas ficam mais caras
A popularidade internacional do gim pressiona oferta e preços, com folha ultrapassando 150 won e produtos premium chegando a 350 won, em meio a recorde de exportações
O gim, alga marinha seca e presença constante nas mesas da Coreia do Sul, atravessou as telas de K-dramas e os roteiros do K-pop, e hoje é consumido mundo afora.
Esse aumento de interesse externo está mexendo com o preço interno e com a disponibilidade do produto, afetando consumidores e produtores locais.
As informações que embasam esta reportagem foram reunidas a partir das apurações divulgadas pelo g1.
O que é o gim e por que virou tendência
A Coreia do Sul é conhecida como a maior produtora e exportadora mundial de ‘gim’, uma alga marinha seca, preta, crocante, geralmente em folha e de formato quadrado, segundo reportagem da BBC reproduzida pelo g1.
O alimento, antes visto por alguns estrangeiros como algo exótico, ganhou popularidade global com a difusão da cultura sul-coreana, com pessoas consumindo gim como lanche ou ingrediente em pratos como gimbap.
Como disse a vendedora Lee Hyang-ran, “No passado, as pessoas de países ocidentais achavam que os coreanos comiam algo estranho que parecia um pedaço de papel preto”, e hoje turistas e consumidores estrangeiros compram nas barracas de Seul.
Quanto subiram os preços e qual o impacto
O crescimento da demanda externa tem impacto direto no custo para os consumidores sul-coreanos. “As exportações cresceram de forma constante nos últimos anos e, em 2025, as exportações sul-coreanas de algas marinhas secas da Coreia do Sul atingiram o recorde de US$ 1,13 bilhão (cerca de R$ 5,65 bilhões), segundo o Korea Maritime Institute (KMI).”
Historicamente acessível, o gim costumava custar cerca de 100 won (cerca de R$ 0,30) por folha em 2024. “Mas, no mês passado, o preço de uma única folha ‘gim’ ultrapassou 150 won (cerca de R$ 0,55), um recorde histórico no país”, conforme apurado pela reportagem.
Produtos classificados como premium já chegam a preços mais altos, “Os produtos premium custam agora até 350 won por folha [em torno de R$ 1,30]”, afirmou a vendedora entrevistada.
Fatores que explicam a alta
Especialistas e autoridades apontam para fatores múltiplos, incluindo inflação, aumento dos custos de mão de obra e queda da produção em outros países, mas a demanda global é vista como o principal motor da alta.
Produtores locais relatam que não há fábricas suficientes para acompanhar a procura internacional, e que grande parte da produção nos últimos anos tem sido destinada à exportação, elevando a pressão sobre os preços domésticos.
Medidas adotadas e o que muda para consumidores
Para tentar conter os efeitos no mercado interno, o Ministério dos Oceanos e da Pesca prometeu monitorar a situação para estabilizar preços, e empresas sul-coreanas, como a Pulmone, planejam criar um centro de pesquisa e desenvolvimento para cultivo de algas em terra firme, com colheita ao longo do ano.
Produtores familiares, como a fábrica em Wando, já consideram expandir operações, enquanto consumidores dizem que podem reduzir compras se os preços permanecerem altos. “Meu Deus, realmente ficou mais caro em alguns dólares! Felizmente, eu consigo aguentar mais algumas semanas com dois pacotes de ‘gim’, mas, se eu vir o mesmo preço ou um valor ainda maior depois, provavelmente não vou repor”, relatou uma consumidora à reportagem.
No mercado de Seul, apesar do choque de preços, o produto continua vendendo bem. “O ‘gim’ está vendendo como água… especialmente o usado para fazer gimbap”, disse a vendedora Lee, refletindo a combinação de turismo, cultura pop e tradição alimentar que mantém a demanda aquecida.