quinta-feira, junho 4, 2026

Gim, o petisco sul-coreano que virou febre global e fez preço bater recorde em 2026, entenda US$ 1,13 bi em exportações, alta de preços e impacto no consumidor

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Da barraca de Seul às prateleiras do mundo, o gim ganhou mercado internacional e elevou preços internos, entre turistas, indústrias e medidas do governo

O petisco coreano conhecido como gim deixou de ser uma iguaria local para virar produto global, em parte graças à cultura pop sul-coreana e à ampliação de exportações.

A aceleração das vendas externas passou a pressionar o preço do produto na Coreia do Sul, gerando apreensão entre consumidores e produtores tradicionais.

No país, comerciantes, indústrias e o governo buscam medidas para conter a alta e ampliar a oferta, conforme informação divulgada pelo g1

Exportações em alta e o recorde de 2025

As exportações de gim cresceram de forma constante nos últimos anos e, em 2025, as exportações sul-coreanas de algas marinhas secas da Coreia do Sul atingiram o recorde de US$ 1,13 bilhão (cerca de R$ 5,65 bilhões), segundo o Korea Maritime Institute (KMI).

O aumento da demanda externa, especialmente em mercados da Ásia, da América do Norte e da Europa, elevou a cotação do produto e estimulou fabricantes a priorizar vendas ao exterior.

Produtores locais relatam que grande parte da produção tem sido destinada ao comércio internacional, reduzindo a oferta disponível internamente.

Por que o preço subiu e como isso afeta o dia a dia

Historicamente considerado um alimento simples e barato, o gim costumava custar cerca de 100 won por folha em 2024, e era vendido em pacotes por aproximadamente US$ 0,60.

Recentemente, o preço de uma única folha ultrapassou 150 won, um recorde histórico, e, segundo vendedores, “Os produtos premium custam agora até 350 won por folha [em torno de R$ 1,30]“, disse Lee Hyang-ran, vendedora com 47 anos de experiência.

Consumidores que compram em grande volume estão revendo hábitos, com relatos de que a alta pode levar a cortes nas compras, e comerciantes tradicionais percebem maior sensibilidade a qualquer aumento.

Relatos do mercado e reação das famílias produtoras

Na feira central de Seul, Lee Hyang-ran lembra que, no passado, turistas ocidentais achavam o produto estranho. Segundo ela, “No passado, as pessoas de países ocidentais achavam que os coreanos comiam algo estranho que parecia um pedaço de papel preto“, e, sobre a mudança de público, “E nunca achei que venderia ‘gim’ para eles. Mas agora todos vêm aqui e compram“.

Produtores de regiões tradicionais, como Wando, no sul do país, relatam pressão para ampliar a produção. “Não há fábricas de ‘gim’ suficientes para acompanhar o aumento da demanda“, disse Kim Namin, que administra uma fábrica familiar.

Com a maior parte da produção indo para o exterior, fábricas avaliam expansão e investimentos em tecnologia para reduzir custos e aumentar a oferta.

Medidas públicas e privadas para tentar estabilizar preços

Autoridades e empresas sinalizam ações para conter a alta. “O Ministério dos Oceanos e da Pesca da Coreia do Sul prometeu monitorar de perto a situação para estabilizar os preços“, e indústrias planejam projetos de pesquisa.

Empresas como a Pulmone, por exemplo, anunciam planos para criar um centro de pesquisa e desenvolvimento de algas em terra firme, o que permitiria colheitas ao longo do ano e reduziria a dependência de safras naturais.

Analistas apontam que a combinação de inflação geral, custos de mão de obra e queda de produção em outros países também contribui para a valorização, mas que a principal força motriz tem sido a demanda global.

O futuro do gim entre popularidade e preços

Enquanto turistas e novos consumidores no exterior ajudam a disseminar o produto, o desafio é equilibrar exportações e oferta doméstica, preservando o acesso do público sul-coreano ao alimento tradicional.

Vendedores locais comemoram o aumento das vendas, “O ‘gim’ está vendendo como água, especialmente o usado para fazer gimbap“, disse Lee, mas essa bonança também traz preocupação sobre acessibilidade e sustentabilidade da cadeia produtiva.

Especialistas e produtores buscam soluções que incluam expansão industrial, inovação em cultivo e políticas públicas de estabilização, para que o gim continue sendo, ao mesmo tempo, um símbolo cultural e um produto acessível.

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