Ampliação do limite pelo CMN permite que a estatal busque R$ 8 bilhões em crédito com respaldo federal, mas ministérios discutem também transferência direta do Tesouro, decisão é esperada para o fim do semestre
O Conselho Monetário Nacional autorizou uma ampliação que dá margem para os Correios tentarem captar um novo crédito de R$ 8 bilhões com garantia da União.
Integrantes do governo e da estatal dizem que esse valor também pode vir na forma de um aporte direto do Tesouro Nacional, e que o caminho final deve ser definido no fim do primeiro semestre.
Essas informações constam em reportagem publicada pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o CMN autorizou a ampliação
Segundo a nota do Conselho Monetário Nacional, a ampliação do limite de empréstimo com garantias da União foi aprovada “para assegurar a continuidade do Plano de Reestruturação Econômico-Financeira da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios), aprovado em 10 de dezembro de 2025”.
O movimento busca dar fôlego ao plano de reestruturação, diante da situação financeira da estatal e da necessidade de garantir liquidez para suas operações.
Situação financeira e possibilidades de apoio
A estatal enfrenta uma crise que o texto da reportagem qualificou como “sem precedentes”, o que motivou a ação do CMN. No acumulado de janeiro a setembro do ano passado, os Correios registraram “prejuízo de R$ 6 bilhões até setembro do ano passado”.
Para 2026, o governo projeta aumento do déficit, com expectativa de um rombo de R$ 9,1 bilhões, o que torna a discussão sobre formato e regras do apoio central para a empresa ainda mais sensível.
Histórico do financiamento e riscos da garantia da União
Em dezembro, os Correios já haviam captado R$ 12 bilhões em um empréstimo com cinco bancos, operação que teve autorização do Tesouro e garantia da União, segundo a reportagem.
O contrato de R$ 12 bilhões foi fechado com Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, tem validade até 2040, e a garantia federal significa que o governo assume o risco de inadimplência, protegendo os bancos credores.
Negociações anteriores e próximas etapas
Antes do acordo de R$ 12 bilhões, o Tesouro rejeitou uma proposta de R$ 20 bilhões que os Correios negociavam com um consórcio de bancos, porque a oferta previa juros de 20% ao ano, enquanto o comitê aceitava taxa de até 18% ao ano.
Fontes consultadas pela reportagem afirmam que o valor adicional de R$ 8 bilhões pode ser contratado como novo empréstimo ou convertido em aporte direto do Tesouro, e que o “martelo só deve ser batido” no fim do primeiro semestre.
Impactos operacionais e menção a programas internos
Além das questões financeiras, os Correios apontaram que o programa Remessa Conforme expôs problemas de “reposicionamento negocial da empresa”, segundo a matéria, o que agrava o desafio de ajustar receita e custos.
Em paralelo à busca por recursos, a empresa já adotou medidas internas de ajuste, inclusive abrindo prazo para funcionários pedirem demissão, em meio à tentativa de reduzir despesas e reestruturar a operação.
O desenlace das negociações entre governo, Tesouro e direção dos Correios terá efeitos diretos sobre os credores, sobre as contas públicas e sobre a continuidade do plano de reequilíbrio da estatal.