Governo Lula Apoia Fim da Escala 6×1: Jornada 5×2 com 40 Horas Semanais é Prioridade no Congresso
Governo Lula declara apoio à jornada de trabalho 5×2 com limite de 40 horas semanais, buscando acabar com a escala 6×1.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializou seu apoio a um projeto de lei que visa a **redução da jornada de trabalho** para o modelo 5×2, com um limite de 40 horas semanais, extinguindo a escala 6×1. Essa iniciativa, que já conta com forte apoio popular e de movimentos sociais, tornou-se uma das prioridades da gestão federal.
A estratégia do Planalto é defender o relatório do deputado Leo Prates (PDT-BA), que propõe alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A principal meta é garantir a **redução da carga horária sem perdas salariais** para os trabalhadores, um ponto considerado inegociável pela equipe econômica.
O Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, tem sido um dos principais articuladores da pauta no Congresso Nacional. Ele participou de audiências e negociações buscando viabilizar a aprovação do projeto, que já enfrentou contratempos e resistências.
Conforme informação divulgada pelo G1, o tema ganhou força a partir de uma demanda dos próprios trabalhadores, que foi encampada por influenciadores e conquistou ampla adesão popular. O governo, percebendo o alcance da mobilização, decidiu abraçar a causa, que já foi destacada em pronunciamentos do presidente Lula e em materiais de campanha do PT.
Articulação Política para Redução da Jornada de Trabalho
A articulação política em torno da **jornada de trabalho 5×2** está intensa no Congresso. O governo busca acelerar a tramitação de projetos que tratam do tema, preferindo a via de um projeto de lei simples, considerada menos complexa que uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O projeto relatado por Leo Prates, que aguarda análise na Comissão de Trabalho da Câmara, é o foco principal do Planalto.
O texto de Prates prevê uma transição até 2028 para a redução da jornada. Em 2027, o limite passaria para 42 horas semanais, e no ano seguinte, para 40 horas. A proposta estabelece uma carga horária diária máxima de oito horas, com dois dias de descanso remunerado obrigatórios, além de permitir a escala 4×3 mediante acordo coletivo, distribuindo 40 horas em 10 horas diárias.
Resistências e Próximos Passos no Congresso
Apesar do apoio governamental, a **extinção da escala 6×1** enfrenta resistência no Congresso. Deputados e senadores, tanto da base quanto da oposição, expressam preocupações com os potenciais impactos econômicos e para os empregadores. O presidente da Câmara, Arthur Lira, já manifestou cautela, ressaltando a necessidade de analisar a viabilidade da medida.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) foram convidadas para audiências sobre o tema. A CNC, em nota, defendeu que os parâmetros da jornada de trabalho sejam definidos por acordos coletivos, respeitando as especificidades de cada setor, em linha com a reforma trabalhista de 2017.
O Movimento Vida Além do Trabalho e o Debate sobre a Escala 6×1
O debate sobre a **escala 6×1** ganhou força nacionalmente com o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT). Em novembro do ano passado, o movimento impulsionou discussões nas redes sociais e coletou mais de um milhão de assinaturas em um abaixo-assinado. A iniciativa argumenta que a escala 6×1 é abusiva e prejudica a qualidade de vida dos empregados, afetando saúde, bem-estar e relações familiares.
A escala 6×1 é amplamente utilizada em setores como restaurantes, mercados e serviços. A proposta defendida pelo governo e pelo projeto de Leo Prates visa justamente modernizar as relações de trabalho, alinhando-as às necessidades atuais dos trabalhadores e promovendo um **equilíbrio entre vida pessoal e profissional**.
Avanço da Pauta e Expectativas para 2026
O parecer de Leo Prates foi protocolado recentemente, abrindo prazo para emendas parlamentares. A votação do texto na Comissão de Trabalho da Câmara pode ocorrer em 2026, dependendo do calendário legislativo até o recesso parlamentar. A expectativa é que o governo consiga articular os votos necessários para aprovar a **jornada de 40 horas semanais**.
A proposta do deputado Leo Prates, que agora tem o respaldo do governo Lula, busca consolidar uma jornada de trabalho mais justa e sustentável, com a **redução da escala 6×1 para 5×2** e o limite de 40 horas semanais, sem alteração salarial. A articulação política e a mobilização social serão cruciais para o sucesso da iniciativa.